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Cansaço…

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Sucata de alma vendida pelo peso do corpo,
Se algum guindaste te eleva é para te despejar…
Nenhum guindaste te eleva senão para te baixar.

Olho analiticamente, sem querer, o que romantizo sem querer…

Alvaro de Campos
(posterior a 1/2/1932)

outono_jura

“Depois de alguns outonos – as palavras escolheram silenciar-se:
Foi maravilhoso fazer parte da vida dos muitos que aqui vieram inúmeras vezes ao longo das estações!”

 

Agora, volto ao silêncio dos dias, da estação, da paisagem e fico a ouvir o canto agudo do pássaro. Sei que vou sentir saudades, mas não vou voltar!

 

Há cortejos, pompas, discursos
Na inauguração quotidiana dos meus sentimentos inúteis…
São iluminadas à veneziana por luzes contentes
As minhas decepções, e os meus desesperos vão em carrocel
Por uma necessidade fatídica do destino.

 

Movimento Natureza

Ao pensar nesse desafio, eu resolvi fazer algo bem simples que acho que todos nós podemos fazer.

Eu resolvi pensar em 10 (dez) coisas que eu fiz no decorrer de 2008 para fazer a diferença no sentido de estar em contato direto com a natureza e mais que isso: respeitá-la como realmente ela merece.

Então vamos a minha lista:

01 – Reciclagem de lixo.
Vou ser sincera: não é fácil convencer as pessoas que é algo simples de fazer. As pessoas mais velhas (nem todas, é claro) mas algumas delas tem uma enorme dificuldade de compreender que isso é algo necessário. Mas aqui em casa tem funcionado e temos separado o lixo orgânico (que vai para o jardim) do lixo reciclado (papéis, latas, garrafas, entre outros).

02 – Entrei em contato com a empresa responsável pela coleta de lixo reciclado da minha região aqui em São Paulo.
Fiquei surpresa: eles foram rápidos no atendimento, vieram até minha residência e me informaram dos horários da coleta que é feita uma vez por semana, sempre as quintas-feiras no período da manhã. Fiquei muito satisfeita com o atendimento que resolveu meu problema com a coleta do lixo reciclado que não era feito na minha rua. Infelizmente poucas pessoas se preocupam com isso por aqui, mas já não sou mais a única a usar o serviço de coleta verde.

03 – Aproveitei muito mais o jardim de minha casa.
É lamentável dizer isso: ele estava totalmente abandonado, as plantas estavam precisando de cuidados: poda, replantio, adubagem, entre outros. Todos os sábados pela manhã passamos a nos dedicar ao nosso jardim, que está muito bonito, as plantas estão mais fortes e felizes. Regamos o jardim duas vezes por dia, a noite, o cheiro de terra molhada ocupa toda a casa. Delicioso.

04 – Diminuímos a quantidade de lâmpadas em casa.
Que desafio: eu não gosto de claridade, mas o mio amore tinha verdadeira paixão por lâmpadas acesas. Não foi fácil. Eu confesso que não gosto de lâmpadas no teto, prefeiro iluminação lateral no cômodo feitas por abajur ou luminárias. Não temos isso ainda, mas boa parte das luzes da casa ficam apagadas e a sensação de aconchego é muito melhor. O escuro é acolhedor.

05 – Geral na parte elétrica.
Assunto delicado: vocês não fazem idéia do quanto uma fiação antiga pode consumir energia. Mio amore trocou alguns dijuntores elétricos e já sentimos a diferença no consumo. Gente, a questão nem é o quanto se paga e sim o quanto se desperdiça de energia com maus contatos, fiação que pode causar curto sem que a gente perceba. A gente precisa sim prestar atenção nesses pequenos detalhes.

06 – Tiramos a televisão da cozinha.
Podem achar engraçado: mas o assunto é sério. Não tinha como conversar durante o jantar ou almoço. Quando não era o noticiário esportivo, era alguma série. Ninguém conversava à mesa. Agora temos uma cozinha gostosa, aconchegante e sem televisão. Todo mundo conversa, se alimenta calmamente, sem receber informações e muitas vezes desnecessárias. A refeição ficou muito mais agradável.

07 – Elaborei um jardim de ervas.
Valorizando a vida: é interessante aproveitar pequenos espaços a sua volta. No caso, eu aproveitei o beiral da cozinha. Fiz uso de sementeiras, panelas que eu já não usava mais e mudei o visual, podendo acompanhar o lento crescimento de minhas amigas: salsa, manjericão, hortelã e oregano. A cozinha ficou com um perfume todo especial. Sempre que regamos o pequeno jardim, o perfume das “meninas” invadem a cozinha e isso sempre acontece na hora das refeições.

08 – Diminuí o consumo de papel.
Nada fácil. Já dá pra imaginar o quanto foi difícil essa tarefa pra mim, mas imagine uma escritora consumindo pouco papel. Nem me fale. Foi humanamente complicado, mas eu consegui. No ano passado usei apenas duas resmas de sulfite. Geralmente eu consumia dez a quinzes resmas. Foi um grande avanço. Passei a usar muito mais o espaço virtual: google docs, pen drives, entre outros…

09 – Redução do consumo de água.
Descoberta interessante: passei a lavar o quintal a cada quinze dias e nos demais dias apenas passo pano com desifentante natural porque eu tenho um cão em casa e preciso ter cuidado com a higiene para o bem da saúde dele. Afinal, ele é meu filhote. O fato é que a limpeza é a mesma e o consumo de água diminui considerávelmente.

10 – Integração com a natureza.
Isso surpreendeu até os vizinhos: sempre gostei de chás, mas geralmente acabava comprando ervas e saquinhos de chá. Pois bem, resolvei conhecer mais de perto as folhas que tenho no meu quintal: jaboticabeira, amoreira, pitangueira, goiabeira, limoeiro, laranjeira. Não, a gente não mora no sítio. Moramos em São Paulo e temos tudo isso em nosso quintal graças aos Deuses. Bem, resolvi experimentar todas essas folhas e depois de uma pesquisa cuidadosa, servi chá de folha de laranja com limão num jantar aqui em casa. Foi a sensação. Além de deixar a casa com um cheiro maravilhoso, ainda agradou deveras com um bolinho de fubá. Também servi chá de folhas de amora que é extremamente saboroso e acompanha de forma perfeita um pão feito em casa.  E os experimentos não pararam por aí. A folha da jabuticabeira também dá um chá muito gostoso, assim como a folha da goiabeira, mas com essa especificamente é preciso tomar cuidado porque ela enibe as funções intestinais.

Bem, foi isso que eu fiz.
Claro que foi apenas um pequeno passo diante de tantas coisas que posso fazer, mas já é um começo e me senti feliz em saber que eu consegui fazer a diferença junto a natureza que está em mim e da qual faço parte.

E para celebrar o dia da Terra (esse lugar maravilhoso) plantei novas sementes que dentro de 15 dias (aproximadamente) darão sinal de vida…

Mas e você? Conseguiria fazer uma listinha com suas ações ao longo do ano que contribuíram para que estivesse mais próximo da natureza a sua volta?

Aproveito para agradecer a Georgia e a Beth/Lilas por essa iniciativa maravilhosa. Lembremos que é preciso muitas iniciativas para que o nosso mundo seja sempre um lugar melhor. Todos nós fazemos o máximo que podemos para que o amanhã tenha possibilidade de se tornar um hoje agradável para todas as formas de vida existente nesse planeta…


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A Meire me passou um desafio delicioso porque eu sou ré confessa, adoro escrever e sempre quis ter uma letra linda… hahahahahaha

Vivia usando o famoso caderno de caligrafia para aperfeiçoar a bendita caligrafia. Há anos não faço mais isso, mas a minha letra é legível (eu acho). Como sou ambi destra, escrevo com as duas mãos.

Preciso explicar: sou canhota por definição, mas no meu tempo de escola, isso era algo absurdo, praticamente inconsebível (não me pergunte a razão). Mas por esta razão, acabei praticamente sendo obrigada a aprender a escrever com a mão direita. Não foi fácil, mas também não foi tão difícil assim… Valeu pelo desafio dos dias que passaram!

Então vamos ao desafio:
De que jeito voce escreve?

Escreva no papel:

De que jeito voce escreve?
Se voce é corajoso/a mostre-nos a sua letra.
Esta é a minha.

Assine seu nome.
Fotografe o teu escrito.

Proximo passo:

Faça um post com a foto da tua caligrafia.
Link quem te desafiou.

Escolha 5 vitimas para desafiar.

Vá ao blog de cada uma das vitimas e avise que as desafiou.
Vá ao blog de quem te desafiou e avise que o desafio foi cumprido.

E eu desafio:

1- Suzana Martins
2 – Neto
3 – Poetriz
4 – Lyani
5 – Marco Antonio

Rascunhos…

paperplanes1catia chien

Hoje, finalmente uma série antiga de poemas deixou de ser rascunhos…
Ando em silêncio, aqui dentro. Fechada para o mundo… Bebendo muita água e chá quente… Não está frio, mas também não está quente e eu sigo tecendo versos.

Coisas do outono.
Agora vou voltar para o meu mundo!
Porque amanhã o outono acaba…
Sabe como é?

 

Dando Crédito.
A imagem veio daqui

E viva o marketing…

image Há alguns anos atrás eu era apaixonada pelas campanhas publicitárias de cigarros. “O seu jeito Calton de ser” “O dia só tem 24 horas! Então chega mais cedo”  dizeres que mostravam jovens bonitos vivendo a vida e levando seu maço de cigarros nos bolsos. “Venha para o mundo de Malboro!” e por aí vai…

Nem por isso eu fumei ou senti vontade de fazê-lo…

image Ah! Sim, tinha um comercial da Coca Cola Light que era muito legal, isso lá pela década de 90. Muitas de suas campanhas eram muito bem planejadas, mas isso não fez ingerir o tal liquido gasoso.

Definitivamente não…

Também não entendi o comercial da Brahma com o Ronaldo (o tal do fenônemo) que ligou seu suor ao suor do copo de cerveja e se assume ao final do mesmo como sendo “brahmeiro” – ok. Para tudo! Isso é qualquer relação com sua vida pessoal? Imagino eu que sim…

Tudo bem, eu não gosto dele mesmo. Então não vou passar a beber cerveja por causa disso! huahuahuahua

E então, lá estava eu lendo meu reader e vi um post sobre o famoso Leite Ninho que eu tomo e adoro e nunca vi (confesso) nenhuma propaganda sobre ele. Gosto dele porque o sabor me agrada e eu nunca fui fã de leite.

image Minha indignação é pensar que as pessoas se deixam realmente convencer pelas propagandas. Eu já gostei de assistir comerciais, mas hoje não tenho mais paciência. Assim como não tenho paciência com posts publicitários, que ficam empurrando para os meus olhos seus produtos tolos…

Eu consumo o que eu gosto e o que me chama a atenção. Experimento coisas novas e troco de marca se me sentir segura com a qualidade do produto novo. Gosto dos atuais chocolates da lacta e reclamo muito do novo Nescau (que está horrível). O bom e velho Toddy está uma delícia…

E nenhum comercial é capaz de me induzir a consumir algo que eu não goste ou que eu não queira. A propósito, acabo de me lembrar um comercial que eu acho muito legal. Cartões Mastercard:

 

- Uma xícara de chá quente a uma e dez da manhã…
Doze reais…
- Um livro de poesia de Álvaro de Campos
Setenta e sete reais
- O cachorro dormindo na cama enquanto eu escrevo
Não tem preço…

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E nem por isso eu tenho um mastercard…

 

Antes que eu me esqueça: isso não é propaganda…

Coletânea Artesanal

Edição de Abril

Enviem seus escritos até o dia 25 de abril para participar da edição de abril do Coletânea Artesanal – o tema desta edição é um convite para quem gosta da magia do Outono.

Drummond certa vez disse: “O outono é uma estação mais da alma que do coração!”

Então, se permita viver através de suas palavras a magia dessa estação.

Seus textos devem ser enviados para: coletaneartesanal@gmail.com – sendo que serão selecionados 05 poemas e 05 contos para a publicação que estará no ar no dia 30 de abril no endereço eletrônico www.coletaneartesanal.wordpress.com

Era uma vez um outono…

Ausência

farfalla

…nem sei se sinto ou não!
Sei apenas que acabou e não há meios de trazê-la de volta.
Já ensaiei isso várias vezes, mas é sempre o mesmo caminho…

O fim insiste em estar lá.
Se desenha de diferentes formas…
Acabou mesmo…
Eu sei que deveria sorrir e festejar: é um grande momento, não é?
Lamento, mas preciso dizer que não!
É o meu pior momento!

E sempre que a música toca, lembro-me da menina que surgiu do nada e falou comigo numa tarde de 2006 – ela descobriu quem era aos poucos, ali, ao meu lado e se tornou mulher no decorrer de uma vida.  No começo pensei que ela era uma vilã, mas depois, percebi apenas que ela era humana, tanto quanto conseguia ser…

…mas dizem que passa!
Passou das outras vezes…

Loreena McKennitt- All Souls Night

Teorias…

boolevard são bento

S.a.u.d.a.d.e.s…
Será que existirá depois que tudo isso passar?

 

 

 

Créditos da Imagem.
Boolevard São Bendo-2002
Rayssa Campos

Movimento Natureza

Acho que a maioria já leu sobre a proposta da Beth do blog Mae Gaia e da Georgia do Blog Saia Justa.

Assim sendo, no dia 22 de abril – data em que o Brasil celebra seus 509 anos de vida pós “descobrimento” – há quem chame de invasão… Enfim, é apenas uma data simbólica – elas vem nos pedir para agir diante de uma questão delicada: a natureza.

Para isso a proposta é a seguinte:

1) Confirmar participacao no blog Movimento Natureza que foi criado exclusivo para discutirmos esse tema;
2) Levar o selo e fazer uma chamada no seu blog.


 

3) Escolhe um projeto que for melhor para você fazer.
No blog http://movimento-natureza.blogspot.com tem muitas dicas do que você pode fazer para participar. Trata-se de um desafio… Então, pense em algo e faça… Apenas lembrando que não se trata de uma blogagem coletiva, trata sim de você fazer algo pela natureza e como você também faz parte da natureza desse planeta, não esqueça que seja lá qual for a sua opção, estará fazendo também por você…

Participem…

+ 1 selinho…

Esse o Acqua recebeu da Lyani

imagem1pypE indico para:

1 – Maria Augusta
2 – Suzanna Martins
3 – Lua Durand 
4 – Marco Antonio
5 – Lyz Kasper

Conto…

Tião é um desses homens da roça, morador do sertão nordestino. Mora numa casa pequena, mas que consegue abrigar as duas esposas e os doze filhos. Uma família “feliz” que nem sempre tem o que comer e nem sempre tem onde trabalhar.

A mulher, a primeira, sai cedo para buscar água para cozinhar um pouco de feijão enquanto a segunda vai até a feira, longe, a pé, buscar a farinha. As filhas mais velhas se viram com as poucas coisas que tinham para fazer, como cuidar das filhas mais novas…

Homem macho, de poucas palavras e muitos filhos. Tião não era o único na região, iguais a ele haviam vários. Mas ele era o único a ter doze filhas, mas ele já tinha tido muitas outras… E como nem sempre tinha o que dar de comer a elas, ele se virava como conseguia, sempre saia com uma das meninas e voltava com notas suficiente para comprar farinha, feijão e guardar um pouco dentro do colchão…

Certo dia chegou Quinzito a sua porta. Um rapaz magricela, porqueira, com um chapéu nas mãos. Acanhado, manifestou seu interesse pela filha mais velha de Tião, que coçou a cabeça e riu com os poucos dentes que tinha na boca.

Depois de uma pequena prosa, o rapaz foi-se embora e passou a dedicar-se ao trabalho. De sol a sol e às vezes de lua a lua – todos os dias, na esperança de juntar seus trocados para ter o que tanto queria. Levou algum tempo, mas lá estava ele, diante do velho Tião. Chapéu em mãos, cabeça baixa, voz baixa e um medo que podia ser sentido a distância. Depois de respirar fundo e buscar forças em algum lugar, ele olhou Tião rapidamente e disse o que pretendia. Sacou seus trocados do bolso e colocou na mão dele que contou nota por nota calmamente e irritou-se ao perceber que não tinha a quantia estipulada por ele.

Quinzito tinha juntado apenas cento e oitenta e seis contos e achou que fosse suficiente para pagar por apenas um beijo de Dora. Ele queria muito isso. Apenas um beijo antes de levá-la para sua casa. Tião? Coçou a cabeça e sorriu com os poucos dentes que tinha na boca. E o rapaz foi-se embora cabisbaixo, chutando as pedrinhas que encontrava pelo chão. Levou consigo os cento e oitenta e seis contos e a vontade de um beijo. Tião queria os trezentos contos. Não aceitou a metade, nem mesmo sendo por apenas um beijo. Sem o dinheiro, disse Tião: “nada de beijo, nada de filha”. Afinal, vai que depois do beijo o rapaz desistisse da pobre.

E os dias se seguiram…
A filha de Tião ficou sabendo de todo o esforço de Quinzito e não gostou de saber que ele estava se esforçando para pagar por ela a seu velho pai.  Quinzito era bom rapaz, mas era feio, magricela, tinha pernas tortas e parecia meio abobado. Não! Ela queria um rapaz bonito, bem vestido e perfumado lá da cidade. Com aquelas camisas branquinhas, sapato preto brilhoso e calça de visgo. Era um desses que ela queria. Mas o querer da moça não interessava ao pai, a ele somente interessava quanto ele iria receber pela pobre…

Numa manhã de sol quente queimando a ribeira. Dois desses moços da cidade foram ter com Tião. Foram logo perguntando das moças e Tião com um sorriso de poucos dentes bem faceiro mencionou que o moço levava a mais velha por trezentos contos. O moço feliz da vida, ofertou quinhentos por Dora, a mais bonitinha da filhas de Tião que ainda coçou a cabeça e mandou chamar a pobre moça que foi-se embora com os moços da cidade.

Dias depois, Quinzito foi as pressas ter com Tião, já tinha a soma completa para levar Dora com ele, mas era tarde, a pobre já tinha sido comprada por outro. Ele ficou desorientado ao saber. Jogou o chapéu no chão e foi logo pisando sobre ele, queria dizer desaforos aquele velho homem. Pensou em inúmeras ofensas: velho safado, sem vergonha, imoral… Mas nada disse, apenas ouviu Tião dizer-lhe que pelos mesmos trezentos ele poderia levar qualquer uma das outras filhas mais velhas. Mas ele queria Dora, nenhuma das outras servia…

Quinzito voltou para casa cabisbaixo, levou com ele os seus trezentos contos que agora não servia para mais nada. Então, abandonou o trabalho e voltou a caçar com o cachorro, tão magrela quanto ele. Os contos ficaram guardados por um bom tempo dentro do colchão…

Certa vez, Quinzito levou a mãe para a cidade e deu a ela cinqüenta contos para comprar farinha, carne seca e outras coisinhas mais. Enquanto esperava encostado na carroça, mascava seu capim. Hábito antigo aquele. E ali, vendo o tempo passar, o rapazola avistou uma rapariga assanhada, trajando roupas curtas e coloridas. Maquiagem forte e cabelos soltos. Era Dora. Ela estava com outras moças na casa das diversões. Quinzito foi até lá e pagou dez contos para ficar com a jovem…

Entraram na casa de luzes avermelhadas, com degraus curtos e muitos quartos no andar de cima. Dora despiu-se e o ajudou com suas roupas. Beijou seu peito, acariciou sua pele. Quinzito só fazia olhar. Não sabia o que fazer… Dora já se mostrava experiente e tratou de deixar o rapaz a vontade… Menos de dez minutos depois estava o rapaz de volta ao seu cenário comum. Encostou-se na carroça e ficou a ver o tempo passar, como de costume…

Dora voltou para junto das outras moçoilas e lá ficou a esperar pelo próximo “cliente”… Quinzito ainda ficou a observá-la até a mãe voltar.

Por fim, jogou fora o capim, ajudou a mães com as poucas sacolas enquanto sentia-se homem pela primeira vez. Montou na carroça e conduziu sua mãe para casa… O amor por Dora passou naquele dia – a jovem de vestidinhos batidos perdidos no meio de suas pernas passou a ser só mais uma garota. E ele passou a ser homem com apenas dez contos…

Estava eu a ler os poemas que escrevi sobre essa cidade quando aqui cheguei, há anos atrás. É engraçado perceber que eu procurei a poesia de Mário de Andrade por todos os cantos desta cidade…

Então, me deparei com uma frase escrita logo depois de inúmeras folhas em branco (foi a forma que eu encontrei para definir o vazio que ficou em mim depois de mudanças radicais, ocorridas no decorrer de mil novecentos e noventa e quatro. Ano do qual, por mais que eu tente, não consigo esquecer).

Amo São Paulo com todo o meu ódio”…
Está frase foi dita por um mineiro memorável de São Paulo, Carlito Maia, um publicitário de grandes frases e grandes feitos, autor do tal “Lula lá”…

Mas por que a frase sobre São Paulo causa tanto impacto? Qual o significado real por trás da ênfase?

Se perguntar as pessoas sobre a cidade de São Paulo, vai ouvir milhares de coisas diferentes: algumas coisas boas, outras ruins demias para se ouvir, mas uma coisa ficará bem claro: ou a gente ama ou odeia essa cidade.

Porque São Paulo é uma cidade com ruas por onde o paulista não anda porque tem medo ou porque só transita carros, que evitam os sinais vermelhos e se esquecem de passos que podem habitar as ruas tanta quanto suas rodas…

É uma cidade com seus poucos bairros ricos onde quem ousa caminhar se pergunta se alguém realmente mora nos casarões circundados por muros, grades, aparatos mirabolantes de segurança. E nos quais o único indício da presença humana é a súbita aparição do rosto de um vigia secundada pelo latido de um cão. Fica impossível não se perguntar: são residências ou casas mal-assombradas?

E o que tem a frase a ver com o centro, onde há tantos buracos nas calçadas que é melhor andar no meio da rua, apesar do lixo e das poças de água parada? Com a Paulista, onde os meninos passam o dia vendendo bala para sustentar aqueles que deveriam sustentá-los e ali ao lado, os engravatados, lidando com seus milhões…

Nesse contexto em que o medo impera, só mesmo quem está drogado pelo próprio imaginário, pelo sonho de riqueza que a cidade permite realizar, ama-a sem ódio. Porque há quem a desenhe com formas desumanas, injustas e assustadoras.

São Paulo repugna tanto quanto fascina, pela possibilidade que o talento tem de desabrochar… A Semana de 22 não aconteceu aqui por acaso. A irreverência de Oswald é tão vigorosa quanto à sociedade paulista pode ser opressora e suas palavras nos remetem a um presente constante, que viveu ontem, vive hoje e com toda certeza amanhã aindaestará vivendo .

Contra todas as catequeses… Todos os importadores de consciência enlatada… As idéias cadaverizadas.” Uma irreverência destemida, na tradição dos bandeirantes. Como a de Mário de Andrade, que ousa se referir ao país num dos seus ensaios dizendo que “apesar de suas cores tão vivas só produz indivíduos de meias tintas“.

A mesma cidade que é repulsiva também é irresistível por tudo que nos proporciona: aqui há a tão sonhada liberdade de criação, a exigência constante de competência, e a troca que favorece a continuidade e são a esperança de uma solidariedade renovadora, capaz de transformar com o espírito bandeirante a quarta metrópole do mundo numa metrópole exemplar, onde a caminhada, além de possível, seja prazerosa.

Para chegar a isso, é preciso sair do ninho, ir além do medo e das próprias singularidades… Não pode se fazer de cego pelas esquinas e nem mesmo de surdo pelas ruas, porque essa cidade pulsa em nós e pulsa ainda mais forte naqueles que não a amam. Por que odiar São Paulo é o primeiro passo para amá-la no momento seguinte. Ela te conquista pelos prazeres de se viver aqui, sabendo que nem tudo é perfeito, mas não é a cidade. São as pessoas que vivem a cidade!

São Paulo! Metrópole
…será possível ser poesia?

No fundo do baú…

Estou revirando meus baús esses dias.
Chega um momento em que você precisa dar atenção a todas aquelas coisas guardadas, abandonadas, esquecidas…

Dentre tantas coisas guardadas, encontrei o antigo rascunho de um poema escrito por mim em 2001 – quando conheci um jovem estranho, cheio de neuras e muitas manias engraçadas…

Ele gostava de conversar e conhecia como poucos os mistérios das Artes Plásticas…Vivia freqüentando os corredores da Universidade de Coimbra, mas não estudava lá… Ele gostava de música clássica e costumava me dar botões de rosas.

Dizia que os botões poderiam trazer sorriso aos meus tristes lábios… Não sei exatamente se era o botão ou o comentário que trazia o tal sorriso em mim.

Nunca nos fizemos perguntas… Ele gostava de andar e tinha um passo rápido, como se tivesse sempre atrasado. Adorava café de máquinas e suco gelado do refeitório… Conversava muito com as cozinheiras que eram vistas com freqüência rindo de seus comentários.

Ele era tímido, escondia o sorriso com as mãos e saía apressado para algum lugar onde não tinha ninguém… Sempre sumia – eu nunca soube o destino daqueles passos. Confesso que nunca ocorreu-me a curiosidade da descoberta quanto a isso.

Geralmente, ele me encontrava quando eu estava sentada embaixo de alguma árvore, lendo algum livro, então, ele acabava fazendo algum comentário sobre o livro que eu estava lendo…

Ele não falava de pessoas, mas falava de personagens, com uma intimidade tão grande que eu às vezes me confundia com seus dizeres…

As pessoas o chamavam de maluco. Eu nunca o chamei, nem mesmo pelo nome. Pensando bem: nós não sabíamos nossos respectivos nomes…

Ele desapareceu de repente. Nunca mais o vi e depois de algum tempo, fui perguntar sobre ele, as cozinheiras, mas elas também não tinham notícias dele… Uma delas disse que sentia falta das conversas malucas nas mais distintas manhãs…

Na manhã do dia seguinte, escrevi esse poema para ele e guardei o rascunho certa de que nunca mais o veria… Engraçado é que foi um dos poucos poemas escritos por mim que surgiram prontos:

Todos os meus desejos estão mortos

Silenciou-se minh’alma
meu rosto perdeu a nitidez
Encerrou-se a antiga busca
Não há mais amores
Não há mais sabores
A boca secou-se  – esta ávida
meu olhar se ofuscou, deixou de ver cores!
O sorriso não mais floresce
na face cansada
e meus movimentos agora
são lentos e desordenados…
Encerrou-se de tal forma tua expressão!
Não mais amanheço,
já não mais me conheço.
Não reconheço mais a velha imagem
que se reflete no espelho…
Não vi o tempo passar
mas como foi afinal,
que o tempo passou?

coletaneartesanal4

Mais uma edição do Coletânea Artesanal está no ar, desta vez o tema Femina nos pede um olhar sobre o feminino a partir da arte dos autores convidados:

Adelaide Amorin, André Auke, Barbara Lia, Erica Salatini, Flávia Muniz, Jana Lauxen, Lunna Guedes, Madalena Barranco, Regina Ramão e Suzana Martins.

Convido vocês a saborear mais uma edição editada por:
Lunna Guedes e Suzana Martins

Acessem:
www.coletaneartesanal.wordpress.com

Portfólio…

Versão Brasileira…

Hebert Richers!

Hebert Richers

Se você já assistiu filmes dublados no Brasil, já deve ter ouvido a famosa frase ouvida por mim no domingo – ao assistir um filme no Telecine Pipoca. Não foi a primeira vez que a ouvi, mas confesso que nunca tinha dado muita atenção a ela. Mas dessa surgiu a pergunta: o que é ou quem é Hebert Richers? Então resolvi correr atrás para descobrir que nome é esse por trás da dublagem brasileira. Primeiro fui direto ao Santo Google e para minha total surpresa, descobri no orkut inúmeras comunidades, uma delas questiona “Quem diabos é Hebert Richers?” e tem mais de dois mil integrantes. Mas há muitas outras, uma inclusive que diz “Eu sei quem é Hebert Richers”…

Pois é, minha busca levou-me de encontro a um brasileiro encantador que do alto de seus 85 anos exibe bom humor, uma forma admirável e uma disposição incrível… É tão agradável verificar que a idade é um problema para uns, mas que para muitos é apenas um detalhe…

Richers chega em sua empresa pontualmente às 7h30 da manhã e só volta para casa no final do dia… Sua imagem pouco conhecida pode ser vista pelas ruas da cidade onde mora sem que ninguém faça idéia de que é ele o homem por trás de metade das dublagens feitas no país há cinco décadas. Ele prefere ser conhecido pela excelência de seu trabalho que lhe rendeu liderança absoluta no mercado e um reconhecimento internacional que poucas empresas do setor tem. A dublagem brasiliera é considerada uma das melhores do mundo…

Hebert Richers comanda mais de 300 funcionários e é conhecido por não dar folga aos diretores e dubladores. Ainda hoje, ele segue acomapanhando de perto todo o processo de dublagem e o material só sai de lá mediante a sua aprovação e ele afirma que a dublagem é fundamentalmente detalhe “tem que ser muito bem feita para que quem assisti acredite que se esta falando em português originalmente. Esse é o principal segredo do ramo”.

O Sr. Richers, como é chamado por seus funcionários, se vangloria ao lembrar de muitos dubladores que graças ao seu estúdio ficou com a voz conhecida por dublar o Eddie Murph, o Bruce Willis e o Richard Dean Anderson (no inesquecível MacGiver).

Em seu estúdio são produzidas mensalmente 150 horas de dublagem por mês, cobradas por minuto e seus principais clientes são Globo, SBT e Record que exigem que a versão brasileira seja feita por eles.

Para quem não faz idéia do trabalho existente por trás da dublagem de um filme com duas horas de duração – basta saber que são consumidos aproximadamente 12 horas de trabalho e pode se chegar ao dobro e até o tripo desse tempo, dependendo exclusivamente da importância do projeto que se tem em mãos…

Sr. Richers diz que mais de 500 dubladores procuram seus estúdios, mas pouco mais de dois ou três são aproveitados porque não basta ter uma boa voz, é preciso ter sensibilidade na hora de encaixar a voz nos lábios do ator.
No começo os dubladores eram atores, Lima Duarte, Mário Lago e Daniel Filho se destacaram no trabalho, logo vieram outros e aos poucos foi se percebendo que era preciso um aprimoramento detalhado para que o trabalho fosse bem feito. Com certeza você deve se lembrar de alguma voz que você jura ser do ator/personagem daquele seu filme preferido.

Hebert Richers cursou engenharia civil no Rio de Janeiro, morou num quarto do laboratório do tio, o cineasta Alexandre Wulfes que era o maior do país e responsável pela revelação da maioria dos filmes nacionais e das cópias de produções estrangeiras. Assim surgiu o primeiro amor do Sr. Richers: a fotografia que o fez largar a faculdade para ser câmera do cinejornal Imagens do Brasil. Em 1945 foi premiado com as medalhas de Esforço de Guerra e Santos Dummont pela cobertura fotográfica da batalha antisubmarino na costa brasileira.

Em 1948 foi trabalhar na Atlântida onde ficaria até 1952 e se especializaria em tomadas externas dos filmes de ficção, sendo o primerio a dar movimento à (pesada) câmera ao carregá-la nas mãos. …

Aos 29 anos de idade, fundou a Herbert Richers Produções Cinematográficas que viu seu universo prosperar com a fundação da Rede Globo em 1965 – que acabou se tornando o seu maior cliente. A pedido de Boni, Sr. Richers interrompeu a produção de um filme para ceder as instalações para gravar novelas da emissora. O empréstimo que inicialmente seria por um mês, durou duas décadas o que fez com que ele parasse a produção dos longas metragens…

Mas nem tudo foi flores, em 1965 foi parar nas páginas policiais graças ao então governador Carlos Lacerda que o processou criminalmente pela morte de seis pessoas  no incêndio que destruiu seu estúdio de dublagem no centro da cidade carioca. Foi inocentado graças ao depoimento de um garçom de um hotel vizinho que viu o dentista do andar de cima jogar um objeto em chamas pela janela que acabou sendo sugado pelo sistema de ventilação.

O Sr. Richers é uma personalidade discreta, que passa em branco, em silêncio mas que está próximo de muitas pessoas que guardam na mente a famosa frase que faz parte do imaginário nacional: “Versão brasileira: Hebert Richers” – que é dita assim, com uma pausa de suspense no meio e quase de modo soletrado…

Tarde de outono…

outono

O dia ainda não sabe se chora ou sorri.
Indecisões pelo caminho…
Coisas do outono que anda a passos soltos pela atmofesta (bom isso).

O vento voltou e trouxe novidades com ele.
Um blog novo? Não se espante, amanhã terá outro…
Mas hoje siga o vento assim como eu e conheça meu novo paradeiro e dessa vez na companhia de outro (esse sim surpreendeu até mesmo o vento)…

O dia se perde na esquina
A tarde tenta agarrar-se a passos nada lentos nas calçadas lá de fora!
Doce ilusão… O vento quer que ela vá embora e cá entre nós, eu também…

Poema…

 

O tempo

O tempo,
…não se abriga na razão

O tempo,
…não se aflora nos sentimentos

O tempo,
…manda na saudade
…no amor e no desejo!

O tempo,
governa as lembranças
comanda as lágrimas
e determina a sua felicidade!

O tempo,
É lento _ mas passa!

O tempo,
Não manda recado
mas deixa as suas marcas!

_____________________________

Quando escrevi esse poema, eu percebi que a filosofia das horas, dos dias, dos instantes não me alcançavam mais…

Certa vez, lia com minha mãe um livro de contos indianos… Ela adorava a literatura indiana. Eu aprecio, mas não encontra-se localizada nas coisas favoritas que trago comigo… Nesse livro, havia uma frase que ela chegou a anotar em sua agenda para nunca mais esquecê-la:


“O verbo “amar” em indiano e persa tem o mesmo significado que “ser amigo”. “Eu te amo” traduzido literalmente significa “te considero como amigo” e “eu não gosto de você" simplesmente quer dizer “não te considero como amigo”…

Mais uma vez sento-me aqui para escrever um artigo (mais uma encomenda) e quando é assim, confesso, fico horas olhando para a tela em branco, procurando pela música perfeita, o cenário perfeito. É tão insuportável escrever coisas encomendadas. Mas quase sempre ocorre um estalo e pronto…

Dessa vez, escrevo sobre algo que ocorreu durante a semana que passou por mim. Uma semana longa, cheia de acontecimentos… Fui obrigada a fazer uma pausa para refletir sobre mim e sobre muitas coisas. O resultado disso vai ser o que seus olhos vão descobrir a seguir:

Quando criança, descobri na mulher a qual chamava de mãe, uma mulher extraordinária. Ela me conduzia pelas ruas do mundo através de suas mãos e que delícia de olhar tinha ela… Descobri a poesia em trilhos e vagões de trem, quando ficava eu com os olhos “pregados” nas janelas que exibiam valiosos cenários que acompanhariam por toda a vida. Eu amava o apito do trem que avisava a proximidade com a próxima estação. Lá, pessoas com malas se despediam, outra apenas diziam até logo. Aqueles cenários causavam pequenos arrepios na minha pele e sorrisos ingênuos e saborosos nos lábios. Enquanto isso, minha mãe se ocupava com a leitura de seus poetas favoritos. Descobri Emily em uma dessas viagens… Cresci respeitando a amiga-mulher-mãe que havia naquele ser humano louco, insano, perturbado pelas coisas do dia a dia… Ela era decoradora, psicóloga, atualizada, mas fundamentalmente era minha melhor amiga…

Descobri através dela que os amigos morrem para que você compreenda o quanto é importante aprender a caminhar com seus próprios pés e construir algo que seja seu. Mas acreditem: não foi nada fácil concluir isso.

Anos depois de sua morte, descobri uma amizade nos resquícios de minha mãe… A primeira amiga, muitos anos a frente de mim e com uma singularidade notável. Ela tinha outros olhares da mulher que eu conheci. Aprendi com ela a tomar uma xícara de chá lentamente, apreciando a composição e o sabor das circunstâncias… Descobri as sensações de sentir a chuva na pele e consegui me encontrar em algum lugar do mundo… Fundamentalmente descobri que as pessoas tem muitas faces e nem sempre estamos atentas a isso, nós duas conhecemos a mesma mulher, mas ela diferente para nós duas.

Ah! Mas ela também me mostrou que os amigos morrem… E dessa vez foi ainda mais difícil porque era como se eu tivesse minha mãe pela segunda vez…

 

Abandonei os amigos em minhas próprias vilas… Conheci muitas pessoas depois disso… Mas eu as mantive em uma distância saudável para evitar que eles morressem, era mais seguro vê-los seguir adiante sem abraçar seus corpos frios e sombrios sob a neblina de meus olhos…

E então… Em um momento de distração, descobri uma composição em minha janela fechada. Ainda não sei como entrou. No certo uma fresta ou outra… Realmente não sei… Como a descobri? Nos primeiros dias de um outono. Quando percebi, fugi… Não era seguro nem pra ele e tão pouco pra mim e ainda não sei o que me fez voltar atrás…

Talvez, uma lembrança das muitas sensações que trago comigo do que um amigo pode me dar: o sorriso do encontro e o abraço da despedida, as risadas que florescem em nossas composições, conversas que se perdem pela tarde, pela noite ou madrugada. As amáveis coincidências que se pode descobrir um no outro, a possibilidade de ser você mesmo, sem ocultar defeitos ou qualidades, os instantes que se renovam e as muitas lembranças que surgem num simples piscar de olhos…

Curioso! E foi assim que eu descobri que os amigos não morrem – nós sempre os reencontramos de uma forma mágica, poética e singular no outro que vem a seguir…

Por isso a vida continua e você descobre que a morte é apenas um detalhe, uma possibilidade, uma fonte inesgotável de renovação…

Conto

A dor de uma saudade…

Uma respiração branda, calma. Um segundo antes, o alongamento dos dedos que se agitam no ar rapidamente. Leveza e sutileza numa rapidez de movimentos repetidos. Diante dos olhos, folhas amarelecidas com desenhos opacos explicam o caminho das mãos…

Uma pausa – uma reflexão lenta entre pele e alma. O mundo faz seu minuto de silêncio. Cabisbaixa, ouve-se o caminho do ar numa respiração mais lenta que vai ao fundo mais fundo daquele pequeno corpo em frações de segundos…

Desperta a ansiedade, oxigena-se o cerebro e sua sensibilidade primeira… A platéia vê o facho de luz recair sobre o palco – cenário de toques mágicos e notas profundas – o piano e suas teclas que levam a todos os cantos a magia de um som que causa arrepios, sorrisos, suspiros e olhares surpresos…

Silência-se o piano! A pausa da pianista é interrompida pela platéia que retribui a magia com aplausos que se ecoam pelo cenário. De pé, o público ensaia aplausos que pedem a volta da pianista ao palco e a jovem de raro talento se apressa em passos delicados até ao piano, onde caminhos são ditados pelos olhos.

E o silêncio volta como forma de breve pausa. Vem os botões perfumados e o sorriso da pianista deixa transparecer a emoção de quem apenas “brincou” com notas como costumava fazer nos tempos da infância…

Agradecimentos, autografos, outros aplausos, sorrisos enluarados e a pianista “sobrevoa” a paisagem e vai para seu camarim onde ainda ouve as notas ressoando em sua mente. Seus dedos ainda repetiam gestos como se teclas existissem por todas as partes…

A jovem veste-se com suas roupas antigas, levando consigo alguns botões e suas carissimas “partituras”. Conduzida até ao carro, ainda encontra tempo para um último admirador e a ilusão de um beijo em suas mãos como forma de agradecimento por tão caro momento faz olhares se perceberem, se reinventarem, se iludirem com adocicadas formas de ilusão. Tudo muito rápido…

O rapaz, pensa em seguir, mas a ousadia o faz voltar para presentear aquela figura singular, mágica, tão bela com seus cabelos negros soltos ao vento, contornos de pequena dama, gigante em talento e formosura. Ele abandona naquela mão de traços delicados e perfeição simétrica um pequena botão vermelho e um envelope pálido que é por ela acolhido com delicadeza e um sorriso ímpar. Segue ele feliz…

Em casa, ela estuda suas notas. Devora o piano como quem se alimenta apenas de som e poesia. Se esquece ela mais uma vez do mundo lá fora, do mundo a sua volta. Nada mais é lembrança, nada mais é saudade. Tudo agora é música, apenas música…

Na manhã seguinte, com suas roupas esvoaçantes – senta-se ela na varanda onde pode sentir o vento e enquanto saboreia frutas e uma xícara de chá aproveita ela para saber notícias do mundo. E na primeira página do jornal, uma de suas muitas fotos. Primeira página? Sim, assusta-se ela rapidamente para em seguida sorrir e no mesmo instante surpreende-se. Dizia o jornal:

“O rapaz morreu a caminho do hospital, vítima de golpes aplicados por dois garotos que só queriam a sua câmera fotográfica, uma rolleiflex 717 que quebrou-se na queda. Salvaram-se as fotos. Todas elas da pianista internacional Edna Jordão que se apresentou na noite de ontem no Municipal.”

A pianista lembrou-se imediatamente do envelope e do pequeno botão vermelho e pôs-se a procurar por ele até encontrá-lo. Estava abandonado num canto qualquer de sua casa. Ela lembrava-se com absurda nitidez da beleza daquele olhar e da gentileza de tão pequeno ato.

O pequeno envelope amarelecido trazia um pequeno bilhete onde as palavras de um jovem fotográfo foram “abandonadas”, agora, Edna sabia, por toda a eternidade:

“Bela Edna, de olhar poético, talvez sejam mágicas tuas mãos, mas elas não vestem os mesmos encantos dos olhos teus, os quais, acredito eu em minha ousadia, serem capazes de descobrir a mim em qualquer canto onde eu esteja. Eu sou apenas mais um na platéia, mas tenho a ilusão de ser apenas um quando estou lá a prestigiar seu talento…
A rosa veste o perfume de um sonho, este que me descubro vivendo sozinho infelizmente. Contudo, hoje eu eternizei-te e de uma forma pouco convencional poderei tê-la apenas para mim e ninguém poderá tirar isso de mim. Minha pequena casa terá mais cores e eu dar-te-ei muitos botões de vermelha cor…
Minha bela Edna, amo-te no espaço de silêncio que fica entre a pausa de teu coração e cantata que teus dedos regem depois!”

Arthur

Nunca antes houvera tanto silêncio a sua volta. Sentiu um desconforto tão grande. O peito estava tão pequeno. Sentia-se sozinha, como nunca antes. Algumas lágrimas percorreram aquela face macia enquanto tudo a sua volta ganhava contornos incomodos. A sala vazia, opaca, onde apenas o piano se destacava – em sua mente repetia-se a lembrança de um momento pequenino: um beijo em suas mãos, o toque sútil, o olhar adocicado e o sorriso gracioso que nunca mais seria visto… Foi assim o resto do dia…

O silêncio só desisitiu de ali estar quando Edna estava diante dos sonoros aplausos da platéia do municipal que estava totalmente lotado. Edna sentou-se ao piano, respirou fundo, olhou rapidamente a platéia e conseguiu encontrar um lugar vazio… Uma breve pausa, uma respiração mais intensa e um sorriso entristecido. Dedos rapidamente movimentados e o som da música tomou conta daquela paisagem até os aplausos finais, quando o palco se viu coberto por rosas…

Na manhã seguinte, Edna devolveu a rosa a Arthur junto a um envelope onde havia uma de suas partituras favoritas. Edma sentiu-se estranha ali diante daquele túmulo recente. Por alguma razão sentia a dor de uma saudade que nem podia existir…

escritora Calma, entre os ventos, em lufadas cheias
De um vago sussurrar de ladainha
Sacerdotisa em prece, o vulto alteias
Do vale, quando a noite se avizinha

Rezas sobre os desertos e as areias,
Sobre as florestas e a amplidão marinha,
E, ajoelhadas, rodeiam-te as aldeias.
Mudas servas aos pés de uma rainha.

Ardes, num holocausto de ternura… 
E abres, piedosa, a solidão bravia
Para as águias e as nuvens, a acolhê-lhas;

E invades, como um sonho, a imensa altura,
Última a receber o adeus do dia
Primeira a ter a bênção das estrelas

Olavo Bilac…

 

Boa semana a todos…

Palacio0410030
Começo dizendo que “Hoje eu me vesti de outono e o outono se vestiu para mim”…

Então, logo pela manhã, com o sol fitando folhas lá fora e o vento passeando pela paisagem – ocupei meu lugar junto a janela como invariávelmente faço em todas as manhãs:  “é hora de partir”… Sempre há a promessa de muitas paradas a cada nova manhã de quase outono por aqui e quase primavera por lá…

Preciso informar que do lado de fora há uma bela manhã com promessas de um lindo dia – desses em que não sabemos se irá chover ou não.

“Um punhado de fantasia
muitas cores e sons
Algo a dizer, a sentir, a reinventar
Pronto. Já temos a ilusão!”

Com uma bela xícara de chá em mãos e alguns biscotinhos amanteigados, dedico-me ao ato compulsivo: virar páginas… Hoje, trago comigo um curioso “livro” que me foi apresentado numa tarde primaveril há anos atrás. Em suas páginas encontro um pouco de história, um pouco de arte, um pouco de ciência, muitas cores e tons, muitas singularidades, um pouco do mundo, um pouco de tudo…

Descobri há poucos dias que leio esse livro há dois anos. Claro que fiquei surpresa, mas é que o tempo sempre me surpreende, afinal, sempre estou eu tão desatenta a ele que na mairoia das vezes não o sinto passar por mim, como agora por exemplo. Dois anos? Sim… Mas confesso que a resposta não me convence. (rs)

hortenciasEntão, visito novamente antigas páginas e fico inquieta ao perceber que algumas páginas simplesmente haviam me escapado. 

Então por alguns minutos você está lá e de repente se vê “dialogando” com o autor do livro, que claro, escreve apenas para você, criando falsos contornos que uma forma um tanto curiosa faz de nós dois, desconhecidos que curiosamente sabem muito um do outro.

Quem sou eu? Quem é ele?
Eu sou um estranho
…que debruça sobre a janela
A esperar pelo pássaro na manhã…
Ele é um estranho
…que fecha a janela sempre na mesma hora
para não ouvir o canto do pássaro
que o atormenta sem disso saber!

Sim, a leitura segue manhã a dentro numa estranha forma de silêncio que me permite saber de suas paixões, ilusões, sonhos e prazeres que se desenham pela paisagem: é possível ver os traços ganhando forma, os tons quentes e frios feito aquarela se misturando a paisagem, ocupando-a…

E quando a última página se apresenta, você sorri ciente de que amanhã haverá mais e fica evidente que “na verdade hoje eu queria me vestir era de primavera” para ter os mesmos tons do Jardim:

 

Jardin Ephemere

Todas as coisas me impressionam
E será assim… 
Enquanto houver tons e cores no mundo:
Sempre haverá bons instantes!
Intervalos conscientes,
Onde coisas possam ser coisas
E nós possamos ser seus ouvintes!

Então seremos crianças na primavera
Entusiasmados com construções pelo caminho!
Rabiscaremos ilusões pelas paredes
E tudo será novo até o momento seguinte!

E a alma sonha, diferente
Distraída!
Segue na manhã fria
De raios tímidos de outono
Mas deveria ser primavera
E isso também me impressiona!

Teceu ela um jardin ephemere
…com mesas ao ar livre
E arranjos naturais…
E tudo virou ilustração para os olhos,
…que encontrou a primavera que tanto queria!

Personagem…

Jana Lauxen…

Desde que passei a visitar os blogs que o termo conhecera alguém ganhou um outro sentido, afinal, você conhece a pessoa/blogueira através de seus muitos posts. Algo que me remete ao tempo em que eu trocava correspondência…

Assim sendo, eu conheci Jana Lauxen há pouco tempo ao correr meus olhos por alguns de seus posts. Lembro-me que sua definição pessoal conquistou minha atenção de imediato:  “Jana Lauxen tem 24 anos, um diploma sem serventia, alguns vícios, um gato cego, um cachorro asmático, um bom companheiro e sérias pretensões”. (…)

Foi o suficiente para eu me atrever a “vasculhar” seu blog que me levou de encontro a uma menina que é meio mulher, meio criança, meio adulta, meio adolescente, meio tudo isso e mais um pouquinho. Em suas narrativas repletas de cotidiano, a gente a descobre aos poucos: um dia sabemos que ela tem uma vizinha que atormenta sua vida dia sim, dia também – e seguimos descobrindo que ela tem um blog secreto e que será lido apenas por aqueles que comprarem seu livro e aos poucos vamos formando uma idéia íntima e pessoal dessa figura humana que entre tantas outras coisas, também é escritora.

Fotos 7817

Identidade.
Janaína Lauxen

Avesso.
Jana Lauxen

Manifesto.
Escrevinhadora

Intuição.
Um deus astronauta

Como nasceu Jana Lauxen?
É sério, eu não sei.
Quando vi, ela já estava ali.

Poeta/Escritor já nasce pronto?
Todo mundo nasce com certas aptidões, mas acredito muito mais em transpiração do que em inspiração.

Descobrindo seus pares
Se você sai na rua e vê uma cigana, ou um mendigo, ou uma madame, e dependendo de como está a sua cabeça naquele determinado momento, eles podem exercer muita influência sobre você.
Meus pares são os outros.

Quem mais te dinamitou?
Eu mesma.
Sempre que pensava em desistir, eu aparecia e me ludibriava a continuar.

Onde busca seus temas?
Aí fora.

Quantas personagens habitam em você?
Não sei ao certo, mas são boas garotas.
As arruaceiras estou botando para correr, sem dó.

Qual delas já te levou a loucura?
Geralmente a que está no controle.

Qual delas já se retirou para um canto escuro e chorou?
Todas fazem isso, lá pelas tantas.
São garotas muito temperamentais.

Seu livro está no pronto? O que nos diz sobre ele?
Quase pronto.
Acredito que final de março, início de abril, esteja pintando por aí.
Se chama Uma Carta por Benjamin.
Um dia, eu estava em casa quando vi pela janela o carteiro deixar algumas correspondências no vizinho.
Não imagino porque, mas pensei: bá. Imagina receber uma carta, de um completo desconhecido, lhe tratando com grande afeição e amizade?
O que se faria?
E se o sujeito continuasse escrevendo, e me fizesse refém de suas cartas e de sua história?
Sentei e escrevi.
Isso foi final de 2007.
Agora ele está pronto e eu me sinto bem.

Por onde anda Jana Lauxen?
Continuo dando as ordens lá no meu blogue.
Também sou co-editora da versão brasileira do site inglês 3:AM Magazine e, orgulhosamente, e-ditora do E-Blogue.com.
Estou ainda organizando uma antologia de contos policiais brasileiros pelo selo Anthology, da editora Multifoco, chamada Assassinos S/A.
E vira e mexe, claro: meto meu bedelho aqui e ali.

Pega e larga:
Ou um ou outro.

Poesia favorita: “Toma um fósforo. Acende teu cigarro!”.
Palavra indigesta: Couro cabeludo.
Sentido figurado: Sua vó subiu no muro.
Moda: Preguiça.
Estilo: Invenção.
Patifaria: Apóio.
Agarro: Filhotes.
Largo: Estreito?
Quebro: Nozes.
Paradoxo: Pessoas.
Poeta: Deus
Livro: Na estante são inúteis.
Na cabeceira: Cinzeiro e água.
Não leio nem amarrada: Prefiro ler desamarrada.
Amassos: Permitidos.
Arquivo Vertical: Desorganizado
Cospe. Para cima, não.

Meme Musical…

A Su me passou esse meme que embora seja divertido, quase me deixou louca porque o meme tem que ser respondido com músicas de um só cantor. No começo pensei em Amedeo Minghi, já que suas músicas de certa forma interpretam meu cotidiano de uma forma bastante singular pra mim, mas optei por escolher um brasileiro que além de Maestro, era um mestre da música…

Bem, as regrinhas são as seguintes:

1- Escolher um cantor(a)
2-A cada pergunta feita, terá que escolher um título de uma música e colocá-lo lá como resposta;
3-Por último, repassar a 7 blogs.

tom jobim
1 – És homem ou mulher?

“Breve é o dia, breve é a vida
De breves flores na despedida
Longa é a dor do pecador, querida
Breve é a dor do trovador, querida”

(Querida)

2 – Descreve-te:
“Meus olhos molhados
Insanos dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero”
(Fotografia)

3 – O que as pessoas acham de ti:
“É pau, é pedra
É o fim do caminho
Um resto de toco
um pouco sozinho
um caco de vidro
É a vida, é o sol
É a noite, é a morte
É o laço, o anzol
É peroba do campo
o nó da madeira
Cainga, candeia
É Matita Pereira” (…)
(Águas de Março)

4 – Como descreves teu último relacionamento:
“Existiria a verdade
Verdade que ningum vê
Se todos fossem no mundo iguais a você”

(Se todos fossem iguais a você)

5 – Descreve o momento atual de tua relação:
“O amor se deixa surpreender,
enquanto a noite vem nos envolver
O resto é mar, é tudo que eu não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar!” (…)
 
(Wave)

6 – Onde querias estar agora?
“Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento”

(Luiza)

7- O que pensas a respeito do amor?
“Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lar-lar.
Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor, que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar”.

(Pela luz dos olhos teus)

8- Como é tua vida?
E voltei pra minha nota
Como eu volto pra você
Vou contar com minha nota
Como eu gosto de você
E quem quer todas as notas
Re mi fá sol lá si dó
Fica sempre sem nenhuma
Fique numa nota só
(Samba de uma nota só)

9- O que pedirias se pudesses ter só um desejo:
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor

(A Felicidade)

10 – Escreva uma frase sábia:
“Agora eu já sei,
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar”

(wave)

Eu indico esse para: 
- Meire, Sam, Dilermano, Paulo R. Diesel, Srta. BiaGeorgia e  Anny

Um pouco de realidade…

Bom dia caríssimos…
Passei uma semana (inteira) longe das ondas virtuais!
Aproveitei para curtir o mio amore: assistimos bons filmes, jogos de futebol, de tênis… Colocamos a leitura em dia. Fizemos coisas rotineiras, como conversar bobagens, dar risadas (muitas) ler Álvaro de Campos e observar a lua…

Para quem vive perguntando como é o mundo sem computadores e internet: eu posso dizer que ele é super agradável, mas eu confesso não ficar conectada o tempo todo. Leio por aqui os assuntos que me interessam e escrevo as coisas que eu gosto de escrever (poesias, contos, crônicas, entre outros). No mais, vivo pesquisando isso ou aquilo. A internet para quem escreve facilita bastante o trabalho.

convite foco femina

Outro assunto que tomou bastante meu tempo (em conversas que se alongaram) foi o evento “Foco Femina” que vai acontecer no próximo dia 30 de março – o evento contará com poesias escritas por mim em língua portuguêsa. A produção é da Francy´s que é uma das pessoas ligadas ao Zine Lapa – um projeto bem legal, para quem ainda não conhece, vale a pena…

O evento será aqui em São Paulo e será apenas para convidados, mas está sendo realizada uma promoção para quem quiser ganhar convites, se estiver interessado em participar, segue a trilha…

>> clique aqui para saber mais sobre a Promoção “Meu jeito femina de ser”

 

Aproveitando do tema, o Coletânea Artesanal está recebendo textos (poesias, contos, entre outros segmentos) para a edição de março. Interessados em participar, basta enviar seus escritos com base no tema “Femina” até o dia 25 de março para o email: coletaneartesanal@gmail.com.

moonboat

E para começar bem essa semana que tem Lua em sagitário (que nos deixa mais expansivos e de bom humor) e já minguando. Deixo um poema mágico para vocês junto com o desejo de uma linda semana a todos.

 

Escultura Atrevida
Madalena Barranco

Deitada
bronzeou-se
de emoções,
deixou-se arrepiar
pelo vento
com mãos de
tempo
numa paixão
de sereia,
e transtornou-se
de brisa
numa escultura
atrevida,
abandonada
na areia muda
de uma praia
perdida.

Madalena Barranco escreve prosa & poesia, temperadas com fantasia e está sempre em busca do legítimo gênero “histórias de fadas”, segundo a definição de J.R.R.Tolkien, que reza sobre a necessidade de sonhar para todas as pessoas de todas as idades.

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