Exposição. Tarsila do Amaral…

Local. Pinacoteca do Estado.Tarsila do Amaral

É a terceira vez que visito a exposição – a primeira foi para satisfazer a “curiosidade” artística – a segunda para compor algo a respeito – descrever o que outro olhos, além dos meus poderiam ver por lá – e a terceira (e última até então) foi mais para rever amigos que para visitar a exposição em si.

A visita acabou surpreendendo nos detalhes: o olhar de Enzo (filho da Sam) descrevendo de forma singular os “rascunhos” feitos por Tarsila. A maioria feita com grafite ou lápis de cor. Um deleite – sem dúvida…

As definições de suas viagens através de seus “modestos” traços: dos lugares, das paisagens, pessoas e animais. O esboço que foi ganhando lentamente uma definição curiosa nos olhos de Enzo. Estava ao lado dele e percebi o olhar atento de uma senhora que segundos antes perguntava a alguém do que se tratavam aqueles esboços – ela não havia encontrado uma resposta até ouvir a interpretação de Enzo que seguia vasculhando todos os desenhos e imaginando as possibilidades por trás de retas, curvas, linhas e definições talvez precisas ou seriam imprecisas?

A tal senhora exibia um sorriso gostoso e nos seguiu com seu sorriso e seu silêncio. Acompanhou atentamente os dizeres dele – eu me afastei em dado momento, com o intuito de observar a cena e não pude conter o sorriso quando alguém veio para explicar a ela o sentido daqueles esboços e ela agitou as mãos no ar rapidamente dizendo “não, não, não é mais preciso!”

Não sei bem a razão, mas lembrei-me de William Blake que disse certa vez “O mundo pode ser visto num grão de areia, mas este, certamente não sabe que é parte do mundo”

Curioso, não é?
Nem sempre a arte consegue ser arte através dos nossos olhos, as vezes é preciso o olhar do outro…

8 Respostas

  1. A alteridade faz parte da essência humana.

  2. Oh, Lunna, o Enzo é uma criança linda, que conheço agora através de suas palavras! Você está certa, pois “ver” através de outros olhos e principalmente de uma criança é permitir-se novas paisagens… Beijos – adorei a crônica.

  3. Ei Lunna,
    seu post me faz pensar que o olhar
    vem primeiro. E quando se confia no
    que diz olhar do outro, conseguimos
    resgatar um pouquinho de nossa grandeza
    como seres.

    PS: quero participar da blogagem
    Mulhers que fazem a diferença

    Um beijo

  4. Pelo que você e a Sam contam, o Enzo deve ser uma criança muito especial, como uma acuidade artistica elevada. Deve ser muito interessante “ver” a arte através dos olhos “sem barreiras” de uma criança.
    Estarei na tua coletiva falando de uma mulher fantástica.
    Beijos.

  5. Pelo jeito o Enzo deve ser uma criança muito esperta hein…

  6. Hum…Já gostei do Enzo! Quero conhecer ele quando estiver aí! Belo texto!!
    beijos

  7. Querida,

    Aprendi a admirar Tarsila do Amaral através da Filatelia.
    Colecionava Selos (hoje os amontoo) e pesquisava suas estampas e significados quando mais jovem.
    Ainda bem que naquela época, praticamente não haviam videogames, e os poucos que haviam (Telejogo), não estavam ao alcance dos reles mortais.
    Querida, nem se precocupe em colocar selinho meu aqui. Aliás, nem acho que combinem com essa belezura de blog.
    Seus leitores tem outro perfil, mais intelectualizado, e sabem que apenas um link com sua indicação é mais do que suficiente. Não precisam de figurinhas animadas pra perceber…
    Se colocar um link para o “By Oscar Luiz” como colocou o do “Flainando na Web” já fico pra lá de feliz!
    O post que fiz em sua homenagem no Flainando fez fãs que eu não conhecia se manfestarem.
    Feliz de mim, que tive o privilégio de postar Lunna Guedes.
    Beijo!

  8. Lunna, q delícia a descrição dessa visita.
    O olhar puro de uma criança, ainda mais uma criança tão inteligente, realmente abre novos horizontes aos nossos próprios olhos.
    Bjks

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