Irrealidade
Como num sonho,
me vejo
Feito água da chuva
…que jorra mundo afora!
Sou feita de silêncio
…e dos lábios não vem a palavra
…não vem a fala!
Vem o eco do mundo
Em sílabas que reproduzo em versos
que seguem suspenso na frente dos olhos!
Sou apenas migalha
…a esperar pelo pássaro no chão!
O vento por mim passa
…as vezes abraça a pele
As vezes cria nó nos cabelos meus!
…as vezes nem mesmo o sinto,
Acontece assim
…quando estou longe
Afastada do mundo
Presente apenas junto,
aos meus pensamentos!
A vida fica em segundo plano
…atrás da cortina
Esperando a vez de ser encenada
…esperando ser presente!
Mas em mim – a vida – é sempre passageira
…feito essa chuva que molha lá fora!
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Meu momento de silêncio…
Eu ando escrevendo muito, ao mesmo tempo em que pouco tenho escrito ultimamente. É aquele famoso instante de silêncio, onde tudo é pouco e excesso ao mesmo tempo.
Assisti na última madrugada – o filme sobre a vida de Frida Kahlo – sem grandes significados pra mim, mas o assisti porque lembrei-me do post feito pela Sam, no qual mencionava o filme. E também porque lembrei-me das aulas com Ior Malgrado – um professor que franzia a testa, puxava os óculos para a ponta do nariz e levantava apenas uma das sobrancelhas. Ior era um estímulo e suas aulas eram um deleite para minha alma. Ele dizia com a boca cheia “Um escritor liberta-se de si mesmo. Sai de si para compor grandes obras. Se deseja mesmo ser um grande escritor, o primeiro passo é despir-se de si mesmo!”
Sempre o admirei, muito mais por seu vasto conhecimento e pela simplicidade em dividir com outros que por suas aulas. Ele nem sempre tinha tempo ou espaço para dizer tudo que desejava em sala de aula. Ele era um homem raro. Ele me presenteava com longos diálogos e eu o provocava no intuito de obter sempre mais. E como fui presenteada por ele com dizeres a cerca da literatura.
Pois bem, mas quando mais estudo literatura. Mais percebo seu equivoco. Disse isso a ele na última carta que escrevi a ele – a cerca de dois meses. O equivoco ocorre uma vez que percebo que os grandes escritores não se libertam de si em momento algum – muito pelo contrário – ele se permitem ser inseridos como parte do cotidiano ao dar vida a seus personagens…
Quis o destino que sua resposta chegasse ao mesmo tempo que a notícia de sua morte, disse ele no e-mail:
“Cara ex aluna, poucos enxergam no escuro, porque a grande maioria preocupa-se apenas com a luz!”
E o meu silêncio continua – já sinto saudades do meu mestre!
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O Poema Irrealidade foi escrito há pouco – é uma reverência a lembrança do mestre Ior Malgrado que um dia disse-me “todo escritor deseja ardentemente o silêncio, mas são poucos os que o tem para si“.
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Ah! A chuva cessou lá fora, restou apenas as últimas gotas nas folhas da jabuticabeira – a luz da Lua Cheia já surge por entre as nuvens e o silêncio agora, parece ainda mais intenso. Logo mais haverá um Eclipse da Lua. Então, vamos nos vestir de ilusões…
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Now playing: Mercedes Sosa – El Tiempo Es Veloz [Live]
via FoxyTunes
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Todos estamos em busca do silêncio, mas como nos ensina o teu mestre, nem sempre o escutamos.
Bj.
Lunna, já assisti este filme e fiquei encantada com tudo, adorei! Foi em 2003 no cinema, estava em Fortaleza com uma amiga. Filmes sempre me fazem pensar na minha vida, não importa qual seja a história!
Beijos, escreva e nos deixe registros!
Essa chuva…
Não é passante…
É presente,
Como as lembranças…
Estão sempre lá…
…guardadas para molhar.
Essa chuva…
Faz lembrar dos momentos…
Nunca estamos sozinhos…
Guardamos na pele…
O sorriso e as palavras de carinho…
Dos mestres, dos pais…
Dos nossos avós, dos filhos.
…misture – se na chuva…
Permita jorrar…
Liberte as lágrimas…
Daquele chuva que te permite mergular.
Comtemple a Lua…
Seja a lua…
liberte – se…
feche os olhos…
E fique a divagar!
…..Beijos de silêncio…..
contemple, anta!!
rsrsrs
Vejo que a chuva te traz grande inspiração, tanto o poema como a prosa deste post estão belíssimos. E que sorte você teve de conviver com este professor tão pleno de sabedoria. Ele partiu, mas seus ensinamentos ficaram, você é uma prova disto, né?
Um beijo.
Belo poema Luna.
Eu queria fruir o silêncio, ele é tão importante para a reflexão. Hoje em dia tudo é tão rápido que não consigo assimilar as coisas direito.
Sinto muito por seu amigo/professor!
Somente no silêncio conseguimos nos despir de pensamentos tolos. Beijus
Lunna, eu assisti esse filme e achei maravilhoso. E foi muito bacana, pois estava com uma prima q tinha estudado sobre Frida e preencheu algumas lacunas da história.
Tbém sinto pela sua perda. Lindo ele ter deixado esse belo ensinamento, o da importância do conhecimento. Prova q esse é o grande tesouro q podemos ter e dar aos que convivem conosco.
Bjks carinhosas