Blogagem Coletiva

Eu gosto de ser mulher

“Eu gosto de ser Mulher”

Como me apressei em explicar o motivo da minha proposta para este dia 01 de março com a Blogagem Coletiva “Eu gosto de ser mulher” – repito que meu pensamento era singular – visando falar de mulheres que fizeram a diferença – já mencionei várias aqui e são muitas que eu poderia mencionar no dia de hoje – mas vou me limitar a falar apenas sobre uma delas – “Anita Malfatti“.

A vida de Anita Malfatti sempre foi cercada de muitos mistérios e diversas curiosidades. Durante a gravidez, Eleonora Malfatti, mãe de Anita, foi abordada por uma pedinte que tinha um defeito na mão e não a ouviu. Irritada, a pedinte a agrediu. Anita nasce com uma má formação na mão direita, o que levou sua mãe a acreditar que foi esse o motivo.

Mãe e filha viajam aos Estados Unidos para tentar uma cirurgia, que foi mal-sucedida. A menina Malfatti era destra e teve que aprender a usar mão esquerda.
Com pai engenheiro e mãe arquiteta, Anita logo demonstrou talento para o desenho e, aos 19 anos, se formou professora, mas a morte do pai obrigou a jovem artista a dar aulas de artes e de línguas para ajudar nas despesas da casa.
Com grande esforço os tios da artista conseguiram mandá-la à Europa onde Anita Malfatti viu pela primeira vez a pintura. Quando visitou os museus europeus ficou “tonta”.
Em 1914 Anita expõe no Brasil pela primeira vez. Sem nem sequer ter visto a exposição, o escritor Monteiro Lobato publica uma crítica em que compara os desenhos de vanguarda às pinturas dos internos de um hospício. As repercussões dessa crítica deixam a artista frustrada e a partir daí, ela nunca mais seria a mesma.

Ela só volta a expor em 1922, fazendo parte do Grupo dos Cinco da Arte Moderna Brasileira que toma frente do movimento modernista, ao lado de Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade. Mas sua arte perdeu a identidade inicial que fazia dela uma grande notável.

Anita apaixonou-se por Mario de Andrade e esperou dele uma definição que não veio. O poeta e escritor morreu sem se definir e ela seguiu com seu amor por ele até os seus útlimos dias – ela o conhecera em 1917 – quando ele visitou sua exposição. Ela ofendeu-se com seu riso incontrolável e ele ria mais e mais – e por fim apresento-se a ela enquanto Mário Sobral – é fato que sua arte o influenciou como ninguém mais antes dela. Mas o reencontro só veio a ocorrer quatro anos mais tarde –  quando surgiu a amizade que desembocou na Semana de 22. Anita fora a mártir desse evento. Mário ofereceu a ela um Soneto Parnasiano e comprou o quadro “O homem amarelo”.

Os dois se corresponderam por quase 20 anos. As cartas de Anita falavam de uma coisa só: amor que não era secreto – ao contrário do que se dizem. Manuel Bandeira chegou a escrever para Mario avisando do amor que ele nutria por ela – mas este temia o amor e só tinha a oferecer a amizade.

Anita terminou seus dias entregue a simplicidade, que talvez tenha sido tudo que ela sempre tenha desejado a vida toda. Suas cartas são um deleite para a alma e uma contemplação do que é belo e sincero…

Você pode conferir os trabalhos de Anita Malfatti visitando o acervo do Museu de Arte Comtenporânea da Universidade de São Paulo.

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Update.
Anita era conhecida como a mulher dos desacertos e não é que até mesmo depois de morta, os desacertos ainda aconteciam?

Quando morreu, a imprensa divulgou que ela falecera com 68 anos, mas na verdade preparava-se para completar os 75. Ela e Tarsila do Amaral, por comum acordo, mentiam sobre a idade, declarando 6 anos a menos em todos os lugares.

Dez anos depois de morta, Anita Malfatti foi
convidada pelo então secretário de cultura de São Paulo a comparecer a uma cerimônia onde seria homenageada. Tremenda mancada para um secretário de cultura, não estar informado da morte de uma artista como Anita, além da demonstração de uma assessoria da pior qualidade. O convite seguiu, em telegrama pessoal do secretário, causando um constrangimento e uma situação ridícula.

Lunna, o que Monteiro Lobato fez com ela não foi digno e ao pensar também que ficou a espera de Mário de Andrade por tanto tempo, acabei de lembrar do que o filósofo Alain de Botton escreveu em seu livro “Desejo de Status”, que a busca por sucesso e aclamação da crítica na verdade é apenas a boa e velha busca por amor. Parece que precisamos de aprovação, mas antes de tudo, parece que precisamos ser ouvidos.

8 Respostas

  1. Anita Malfatti alia o talento à uma sensibilidade enorme. Entendo porque as críticas a aniqüilaram tanto. Suas obras tem uma singeleza comovente, gosto muito.
    Para esta blogagem coletiva, estou falando de uma outra grande mulher, que também superou muitos obstáculos, Marie Curie.
    Um beijo.

  2. Lunna eue stava curiosissima para saber a historia dela.
    Um beijo

    Meire

  3. [...] Lunna, escritora e curadora, convidou-me para falar de mulher, das mulheres. São tantas mulheres importantes, todas são especiais e merecem respeito, Amor. Só [...]

  4. Querida,

    Mesmo não sendo mulher, vim aqui deixar um grande beijo a uma grande mulher, extensivo a todas as demais que por aqui passarem e cumprimentá-la pela iniciativa da blogagem que propôs.
    Você e todas as que participarem estão de parabéns!
    E viva as mulheres: seres que tornam o mundo melhor!
    Beijo e bom domingo!

  5. Oi Lunna ,
    vi a sua chamada para a Blogagem Coletiva na Luma e postei, nao bem sei se é o que vc propos mas esta la.
    Lindo seu posting.
    Bom domingo.
    Bjusssssssss

  6. Anita era conhecida como a mulher dos desacertos e não é que até mesmo depois de morta, os desacertos ainda aconteciam?

    Quando morreu, a imprensa divulgou que ela falecera com 68 anos, mas na verdade preparava-se para completar os 75. Ela e Tarsila do Amaral, por comum acordo, mentiam sobre a idade, declarando 6 anos a menos em todos os lugares.

    Dez anos depois de morta, Anita Malfatti foi
    convidada pelo então secretário de cultura de São Paulo a comparecer a uma cerimônia onde seria homenageada. Tremenda mancada para um secretário de cultura, não estar informado da morte de uma artista como Anita, além da demonstração de uma assessoria da pior qualidade. O convite seguiu, em telegrama pessoal do secretário, causando um constrangimento e uma situação ridícula.

    Lunna, o que Monteiro Lobato fez com ela não foi digno e ao pensar também que ficou a espera de Mário de Andrade por tanto tempo, acabei de lembrar do que o filósofo Alain de Botton escreveu em seu livro “Desejo de Status”, que a busca por sucesso e aclamação da crítica na verdade é apenas a boa e velha busca por amor. Parece que precisamos de aprovação, mas antes de tudo, parece que precisamos ser ouvidos.

    Por fim, estou tão sonada, dopada por assim dizer que, esqueci de falar de alguma persona. Vai lá que ainda faço! :) Beijus

  7. [...] furo inacreditável da minha parte, mas no sábado eu simplesmente esqueci de escrever para a blogagem coletiva Eu Gosto de Ser Mulher, promovida pela Lunna Guedes. Se eu não tivesse divulgado aqui que participaria… mas pelo [...]

  8. Oh, Lunna, perdoe-me a confusão, eu havia agendado a Blogagem Coletiva para o dia oito… Mesmo com atraso, prepararei meu próximo post com esse tema. Beijos.

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