A Semana de Arte Moderna

Artigo III
O Povo e a Arte Moderna

Mas para quem pretendia mostrar a cara de uma cidade ou quiçá de um país – era curioso observar que na Paulicéia transcrita por Mário de Andrade não havia espaço para falar da situação do povo ou das inúmeras manifestações prestes a tomar conta das ruas da cidade naquele ano.

A arte moderna vestia-se de uma simbologia elitista e sabe-se que muita gente acompanhou o fervilhar das emoções modernas com interesse afinco apenas nas páginas de jornais e de revistas por se tratar de um evento de “grã-fino”.

A Semana de Arte Moderna fora planejada dentro das mansões de seus “patrocinadores” como Freitas Valle, Paulo Prado que abriam os salões de suas residências para os artistas que não estavam inseridos nas preocupações com o mundo do lado de fora, onde a sobrevivência não era fácil e havia uma luta que reivindicava melhorias para os muitos proletariados que viviam em São Paulo.

A Arte de Mário de Andrade, Oswald, Menotti Del Picchia, Cândido Motta Filho, Tarsila do Amaral e muitos outros estava totalmente desvinculada de toda e qualquer militância – não havia compromissos e tão poucos ideais políticos atrelados as suas formas de expressão. Havia apenas um compromisso com a renovação do cenário intelectual.

A escrita buscava exibir a realidade moderna – antenas, elevadores, locomotivas, bondes, aviões – mas há também quem preferisse um tom tropical, como era o caso de Oswald:

Arranha-céus
Fordes
Viadutos
Um cheio de café
NO silencio emoldurado.

O fato é que os textos construídos a partir da idéia moderna falam de uma cidade que já começa a incomodar, que começa a fazer barulhos insuportáveis com suas buzinas e gritos humanos da mulher que quer alcançar a outra que vai mais na frente. Do menino que vende seu jornal. Do homem que anuncia seus produtos. Do passo dos cavalos pelas ruas de paralelepípedo, do bonde que passa no meio da rua. Da multidão que já exibe pressa em pleno começo de século.

“O atropelo dos automóveis depois de um grande match de foot-ball/Buzinas rouquidões motores algazarras/O Vento correndo sobre pneumáticos” Poema elétrico de Luiz Aranha.

A poesia começa a ganhar descrição e faz com que o seu leitor desfile por imagens como se estivesse diante de uma tela de cinema. É o momento triunfante da escrita – a modernidade é descritiva, usa metáforas e formas conhecidas do cotidiano para descrever o que se vê e o que se sente.

Mas há quem diga que essa tal modernidade não estática não se tratava exatamente de uma novidade. Era algo que já se vinha aprendendo, mas faltava a ousadia da prática – algo que definitivamente não faltou aos modernistas paulistanos.

Uma resposta

  1. deveria falar puplicamente das artes,achei muito bonito esse tipo de comentario.parabens,

Deixe um comentário