Acqua…

Trago em mim essa perturbação necessária
…de saber os sons dos mares
O sabor da folhas e o paladares do mundo afora!
Essa ilusão repentina que larga o sono no canto
…para o silencio rezar sua prece na ponta da pena!

veneza

Acqua!

No ano passado estava sentada com a Sam num café no bairro da Liberdade e contava a ela do porque havia mudado de blog.

Alguns de vocês devem se lembrar do Lenta Composição que foi o meu primeiro blog, que surgiu no ano de 2002 e era na verdade, uma espécie de laboratório da escrita – onde eu praticava a língua portuguesa. Eu o via como uma espécie de rascunho – onde eu deixava os primeiros escritos (a espera de melhor forma – a espera de uma segunda definição).

Eu sempre escrevo um mesmo poema ou textos várias vezes – até que este me convença de sua melhor forma. Acho que é uma espécie de busca da perfeição, onde a palavra seja capaz de descrever corretamente um sentimento, uma sensação ou até mesmo um simples momento.

O mais engraçado é que eu nunca pensei em ser escritora ou poeta. E há dias em que eu me considero uma pessoa comum, sem direito a palavras… Considero-me uma alma vagando sem destino, em silencio profundo.

Devido a essas pequenas excentricidades, surgiu o Lenta Composição – que com o passar dos dias e dos muitos momentos descritos por lá – ficou sem sentido – perdido no próprio sentido que levou-me a criá-lo. A página (simplesmente) virou…

E uma vez estando sentada num café, ao lado de uma pessoa que num estalo passou a fazer parte do meu cotidiano – “é uma prova de que as coisas se transformaram desde então”. Por isso era preciso um novo cenário virtual que revelasse um pouco disso tudo que há em mim…

É realmente engraçado como a gente se acostuma à solidão das paredes, ao resmungo do cão que dorme no seu pé. As histórias ganham dimensões bem maiores que um simples cômodo do qual você se apodera para criar.

Quanto a Acqua – é a representação de um novo momento. Não pensem que estou pronta para algo porque acho que nunca irei estar. Serei sempre surpreendida por um novo momento e isso é que realmente fascina. A possibilidade da surpresa quando menos se espera…

Acqua seria um estado líquido, feito chuva que caí no final da tarde – quando o dia ainda se exibe pelas cortinas e de repente, o cenário muda, com nuvens que se apoderam do céu – alguns trovões confeccionam novas formas de silêncio, a chuva caí e você se esquece das paisagens a sua volta…
Por isso (apenas por isso)… Acqua.

Uma resposta

  1. Oi Lunna!

    Lindo e sensível esse escrito – me deu saudade do Lenta Composição…

    beijos querida, boa tarde.

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