Em clima de comemoração dos 100 anos da chegada dos primeiros imigrantes ao Brasil, exposições reforçam os laços entre Brasil e Japão em São Paulo…

Para celebrar os 100 anos da chegada dos primeiros japoneses ao estado de São Paulo - algumas mostras e exposições começaram a figurar na principal capital do país no mês de abril e seguem a vista dos olhos no decorrer do mês de maio.

A partir do dia 16 de maio o Memorial do Imigrante apresenta a mostra O papel do estado de São Paulo na imigração japonesa, que terá como atração principal a lista dos passageiros do navio Kasato Maru. No qual viajaram os 800 pioneiros que chegaram ao porto de Santos no dia 18 de junho de 1908.

O PAPEL DO ESTADO DE SÃO PAULO NA IMIGRAÇÃO JAPONESA.
Memorial do Imigrante – Rua Visconde de Parnaíba, 1316, Mooca.
De 16 de maio a 16 de dezembro, de terça a domingo, das 10 h às 17 h
Entrada: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia).

Já na Caixa Cultural, duas exposições: O Japão de Pierre Verger – Anos 30 que trás 200 imagens do fotógrafo-etnólogo frânces Pierre Verger (1901-1996) e O Japão de Descamps e Desprez – Anos 90 que reúne outras 100 fotos feitas pelos fotógrafos contemporâneos franceses Bertrand Desprez e Bernard Descamps.

As imagens de Verger – que na época tinha apenas 2 anos de experiência como fotógrafo – mostram cenas cotidianas das principais cidades japonesas no período entre-guerras, quando a cultura tradicional ainda se sobrepunha à modernidade ocidental, período em que o país iniciava, também, seus primeiros flertes com a Alemanha e Itália fascistas. Ruas, vitrines, mercados, bares e casas de prostituição - todos esses locais são registrados por Verger que, tal como milhões de japoneses, escolheu o Brasil para morar.

O Japão de Descamps e Desprez trás imagens de um Japão moderno - é um registro feito duas décadas após as imagens de Verger. Enquanto Bertrand Desprez busca garimpar momentos de tradição em meio a um país já totalmente imerso na cultura ocidental, o segundo – Bernard Descamps – afirma que suas imagens não descrevem objetos, ou acontecimentos, buscam apenas desvendar os fragmentos do tempo.

O JAPÃO DE PIERRE VERGER – ANOS 30 e O JAPÃO DE DESCAMPS E DESPREZ – ANOS 90.
Caixa Cultural (praça da Sé, 111).
De 19 de abril a 25 de maio, de terça a domingo, das 9 h às 21 h. Entrada franca.

Na Pinacoteca do Estado, o público tem contato com a arte nipônica dos séculos XVII, XVIII e XIX. O florescer das cores: a arte do período Edo reúne 160 peças produzidas entre 1603 e 1867, provenientes de acervos de mais de 15 museus japoneses. A exposição está dividida em quatro módulos: quimonos e ornamentos do corpo, como máscaras e adornos femininos; o universo dos samurais – guerreiros tradicionais do Japão feudal – com armaduras, selas de montaria, escudos e armas expostos; a cerâmica japonesa e, por fim, o módulo de artefatos de laca, espécie de resina utilizada largamente no artesanato japonês.

Detalhe interessante: a exposição estará fechada nos dias 13, 14 e 15 de maio - para a substituição de numerosas peças. O público que visitar a exposição antes do dia 13 e depois do dia 15 poderá apreciar, assim, um conjunto diferente de obras.

O FLORESCER DAS CORES: A ARTE DO PERÍODO EDO. Pinacoteca do Estado, praça da Luz, 2.
De 18 de abril a 22 de junho, de terça a domingo, das 10 h às 18 h. Entrada: R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia). Grátis aos sábados.

A foto da Gravura é do artista Hiroshige, que retrata a montanha símbolo do Japão. “As 36 Vistas do Monte Fuji” que estão expostas na Pinacoteca - o gênero em questão era o ukiyo-e, ou “retrato do mundo flutuante”.

As duas mostras dão a chance de conhecer a produção artística de um período inserida em seu contexto histórico - marcado pelo isolamento do Japão e seu desenvolvimento interno. Vale a pena conferir…

Para saber:
http://nihon.samshiraishi.com
http://nihon.samshiraishi.com/category/100-anos-da-imigracao-japonesa-no-brasil/
http://nihon.samshiraishi.com/2008/04/26/100-anos-da-imigracao-japonesa-no-brasil/pierre-verger/