Inventando uma missiva…

Para quem não se lembra, quando escrevi o post “O Brasil das Missivas” lá no Nossa Via, convidei vocês a imitar o ato de Pero Vaz de Caminha e tecer missivas sobre seus lugares e paisagens favoritas, bem, eu aqui, descrevo Gênova, onde estarei em breve.

São Paulo, fim de tarde, começo de noite…
Saudades nas minhas esquinas!

Quando chego em casa, gosto de abrir as janelas no fim de tarde, quase noite e apreciar a velha cidade com seus ares salgados, os barcos que chegam “cansados” de mais um dia de pesca e o silêncio que se evidencia no porto. Tudo é silêncio e solidão pelas bandas do cais – timidamente se levanta a cortina negra da noite com suas estrelas e seu luar mais claro que parece saltar de dentro do mar aberto… As águas parecem calmas e conforme as horas passam começam seu canto!

Do outro lado vem uma brisa fria, em pleno verão – é hora de se recolher a mim mesma. É hora de respirar mais fundo, sentido o ar mais salgado invadindo minha narinas. Um sorriso floresce lentamente ao ouvir os grilos nos galhos das ervas.

A lua segue construindo caminhos de sonhos e poesias pelo céu e alguns pela terra já velam seus sonhos. Enquanto o viajante – estranho nessa terra – tenta descansar seu corpo exausto das aventuras do mar. Por esta noite estará em terra firme, abraçado a um périplo noturno, isolado do resto do mundo, imerso num pensamento só seu – uma saudade só sua e sentado sobre a negra rocha na encosta do mar, mergulha seus pés na água fria (pensando areia ser) e ali, por um instante se abraça a alfazema e participa da simbiose existente entre homem e mar. E eu cá, compreendo tão bem essa saudade…

Diferente de mim, ele se lembra da rede lotada de peixes vermelhos, azuis, prateados que saltam pelo chão da embarcação. Onde outrora havia vida, agora é apenas refeição que será entregue a outros que nada sabem de seus caminhos pelo mar que as vezes se faz céu aberto! E eu cá a pensar nos caminhos de pedra – com seus bancos e cantos – simbioses humanas que também constrói caminhos diversos e nem sempre sabe se existe céu e mar mundo afora. Os olhares daqui se cansam da vista do cais por mais bela que seja, nem sempre lembram-se do que está por lá…

E o relógio avisa que onze horas são. A hora perfeita, quase encantada porque ainda não se fez meia noite e até lá tudo pode ser longo e distante, quase inalcansável. Um suspiro enche o corpo de ar salgado e os olhos procuram pelas garças que ralham com os homens e as vezes parecem deles zombar numa doce brincadeira de criança… A essa hora, dormem sobre o pouco de areia branca que existe entre as pedras – mas parecem alertas ao mundo, desatentas ao sono e aos sonhos…

Fecho a cortina que voa com auxílio da brisa. Lembro-me da infância – das canções que fui aprendendo pelo caminho. Dos passos pelas ruas de pedregulhos. Da praça onde se deita na grama e se esquece do tempo – que passa e a gente nem sempre percebe.

Então você descobre – anos mais tarde – que tudo é encontrar qualquer coisa – e as imagens (todas elas) atravessam os meus olhos e caminham para além de mim – em dado momento sei que não vou mais alcançá-las e talvez a saudade me falte – talvez eu vá ficando igual à armadilha que usam os pescadores para agarrar seus inúmeros peixes…

Para trás, ficaram mesmo uns sonhos poucos, umas alegrias de ruas quadriculadas e, enfim, o tempo que não irá passar enquanto eu não voltar para lá…

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E o assunto “quinhentismo” segue lá no Nossa Via com o artigo “Os Caminhos da escrita” – deixo aqui o convite para você seguir nessa trilha: http://www.nossavia.com.br/entretenimento/os-caminhos-da-escrita

7 Respostas

  1. Lunna, que modo mais lindo de nos contar seu amor pela cidade de Gênova…ela é tão diferente de São Paulo, você vive 2 vidas complementares em mundos diferentes.
    Realmente muito bonita esta missiva.
    Grande beijo.

  2. Não importa onde se esteja. Importam as memórias e as sensações associadas a elas.
    Ainda que se esteja longe, é possível reviver um momento com a mesma intensidade.
    É sim possível estar em dois lugares ao mesmo tempo; diferente do que a ciência tenta pregar.
    Convido esta amiga querida a um passeio pelo Flainando na Web para ver sobre algo que provavelmente lhe vai interessar. E se gostar, porque não ajudar a divulgar…
    Um beijo, minha amiga das palavras mágicas!

  3. Oi Luna. Gostei do leiaute novo. Passa no vermelho.carne de novo, tem presentinho lá. Hihihi

    Beijo

  4. Lunna, que vontade de ver a vista dessas janelas que se abrem para o seu mundo do outro lado do oceano. É bonito ter no coração duas casas e paisagens que se complementam para formar um lar.
    Pena mesmo não ter sido desta vez o nosso encontro, mas haverá o momento, com certeza.
    Um beijo carinhoso!

  5. Quando li seu texto imaginei muitas coisas boas. Muito inspirador!

    Beijos!!

  6. Lunna, sem missivas por enquanto, mas com livros lá no blog.
    :)

    Beijos, Mel

  7. Oi, Lunna, tudo bem ??
    Estou convidando o pessoal para participar da Blogagem Coletiva Contra o Tabagismo, que acontecerá neste sábado, 31 de maio, que é o Dia Mundial Sem Tabaco ..
    Caso queira participar, tem as informações no meu blog, o selo com o post está na coluna à direita. Caso não possa também não tem problema, mas desde já agradeço a atenção ..

    Abraço, até mais !!

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