Perto da hora do almoço.
Hora de ir ao supermercado com a Angela.
As crianças estão na escola e os adultos trabalhando. É hora de a terceira idade fazer as compras e por ironia, dessa vez não tive como escapar… Mas o olhar sempre atento não descansa e capta as mais diferentes curiosidades pelos arredores…
Sem que o gerente perceba, uma senhora entra com o seu cachorro, de pequeno porte, discreto, mas nem tanto. Pega seu carrinho e cuidadosamente o aconchega no carrinho de compras. Uma transgressão aqui em Gênova. E os clientes torcem o nariz para a cena infeliz.
A gentil senhora, amável com sua pequena jóia, pega leite, biscoitos, pacotes de leite, biscoitinhos para o cão, entre outras coisas mais sob o olhar indignado de muitas pessoas, que na certa não tem um cão em casa e se o tem, não o tratam com tamanho zelo como o faz a admirável senhora que se mostra indiferente ao cenário a sua volta.
Meus cotovelos seguem apoiados no carrinho de compras enquanto meu olhar acompanha de perto a pitoresca cena. E finalmente aparece o gerente que certamente fora chamado por algum cliente incomodado.
“Senhora, o cachorro deve ficar amarrado na entrada!”. Explica ele, com sua voz de italiano autoritário que quer ver sua “ordem” cumprida a fino trato.
Contudo, a amável senhora replica incomodada: “Como amarrado na entrada?”
Ainda munido de alguma paciência, ele tenta explicar a questão que pra ele é bem mais que clara e obvia, afinal, estamos falando de um cão: “É proibido entrar com cachorro e mais proibido ainda colocá-lo no carrinho de compras minha senhora. Ele deve permanecer amarrado do lado de fora do supermercado!”.
Ao que ela responde incorfomada: “E os pais? Não colocam suas crianças no carrinho de compras?”
A vontade de aplaudí-la eu contive, mas o sorriso franco foi impossível. Meu olhar se destinou rapidamente para aqueles seres incomodados que na certa devem pensar que são mais limpos que pequenos cães. A caríssima senhora, abandonou seu carrinho no meio do corredor (coisa pouco habitual para europeus) pegou seu cãozinho de forma extremamente carinhosa, como quem pega a um bebê, aconchegando-o carinhosamente junto ao seu corpo e dizendo em alto e bom tom para que todos pudessem ouví-la:
“Vamos minha bebê, se você não é bem vinda aqui, a mamãe também não o é, vamos comprar lá com o seu Genaro que sempre nos recebe muito bem.”
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Agradeço aos seus sinceros comentários!!
Volte sempre que quiser!!
bjs
Interessante. O caso em tela me faz pensar. Fico inclinado a apoiar a senhora citada, mas, por outro lado, acho que se assim agisse eu estaria sendo injusto porque amanhã ou depois pode ser que alguém queira entrar no mercado com seu Pit Bull, Pastor Alemão, São Bernardo, Dobermann ou outro cachorro gigante. Seria o caso de impedir. Bom, tem gente que possui animais outros e não apenas cães. Também em relação a estes haveria injustiça. Digamos que alguém queira entrar com outro tipo de quadrúpede diverso de cães e gatos, certamente haveria repulsa por parte da maioria dos clientes. Se o cão de colo pode entrar, questão de justiça permita-se que a ovelha entre, o bode, a cabra…rs. Não é uma situação muito fácil. Pensando assim, prefiro a escolha menos complicada: só permitir o ingresso dos animais racionais.
Lunna:
Adorei. Nem gosto de cachorro em supermercado, mas adoro uma trangressão inteligente.
Beijos
Amo os animais, mas acho que cada um deve ocupar o seu espaço. Por mais asseado que seja um cão, ele possue doenças inerentes à raça. Mas gostei da velhinha, mostrou que o correr dos anos só lhe deram coragem para defender aquilo em que acredita e isso basta! Beijus
muito bem escrito, mas bizarra é esta situação,
É difícil conciliar os sentimentos de todos. Outro dia num “super” vi uns garotinhos derrubando, vasculhando, esculhambando com tudo e ninguém pediu que se lhes amarrasse em frente a loja.
O problema são as leis.
Bj, Lunna