Coisas do Japão…

Enquanto no Brasil comemora-se o centenário da migração japonesa , com direito a visita do Príncipe Nahurito que segunda consta, fugiu do protocolo e se deixou envolver pelo “calor humano” tão comum da gente brasileira… Eu estou aqui a ter o prazer de beber chá de ervas do jardim do sr. Masaki que me presentou com um cd de músicas japonesas.

Foi assim que percebi que pouco conheço a música japonesa. E olha que eu sou fascinada por alguns aspectos da cultura oriental. E sou sincera em dizer que lamento bastante o fato dos japoneses (assim como os brasileiros) terem se deixado influenciar tanto pela cultura (trash) norte americana.

Estava lendo um pouco sobre J-Pop (japanese pop – que é uma variação do estilo pop com traços japoneses) e acho que nem preciso dizer que estou falando de um estilo musical que tem influencia norte americana…

No Blog Coisas de Otaku estive lendo sobre a evolução musical no Japão, ele conta como o rock contagiou o país: “Antes da década de 90, poucas bandas atingiam algum sucesso, mas não chegavam a ter um público vasto dentro do Japão assim como as suas melodias não alcançavam outros países. Isso durou até meados da década de 80, quando surgiu a banda X-Japan.”

E enquanto lia a respeito, descobri Ayumi Hamasaki que aos 28 anos já acumula mais de 70 prêmios e é uma espécie de Britney Spears lá no Japão.

>>clique aqui para ouvir a música de Ayumi

As vezes surgem algumas inquietações quanto a esse processo de perda de iidentidade oriental, porque em São Paulo, onde se concentra um grande número de imigrantes japoneses e seus descendentes há escolas que buscam manter a cultura desse povo, como se por não estarem no Japão, eles tivessem por obrigação manter costumes, estilos e a própria arte oriental. Quando estive no bairro da Liberdade, acabei por encontrar muitos senhores e senhoras que falavam a língua portuguesa com grande dificuldade e no entanto, falavam o japonês com primazia, isso sem dizer do conhecimento a cerca da cultura de seu país de origem.

Me pego questionando se o japonês e o brasileiro não tem em comum a questão de que o que vem de fora não é melhor do que aquilo que está ao seu alcance?

5 Respostas

  1. Sou de origem alemã e sinto esta mesma influência que estás a relatar em nossas tradições, nossa música, na nossa cultura.
    É a globalização manifestando-se.

    Bj.

  2. Sabe, Lunna, a grande surpresa que os nikkeis viveram ao chegar no Japão foi se sentir e assumir brasileiros. Aqui éramos “japoneses” e lá nos vimos “gaijins”. Gaijin, como você deve saber, é estrangeiro e aqui os nipo-brasileiros sempre chamaram os não-descendentes e não japoneses (natos) de gaijin, mesmo sabendo que na verdade os brasileiros, como nós, são nascidos aqui e não “gaijin”. Aqui somos japoneses, lá somos brasileiros e acredito que só a geração dos meus filhos, já bisnetos de imigrantes, conseguirá se sentir verdadeiramente autóctone.

  3. [...] Lunna Guedes, do blog Acqua, fez um post sobre música japonesa e J-pop, no qual ela dizia Me pego questionando se o japonês e o brasileiro [...]

  4. Lunna, você tem razão quando diz que para os brasileiros “o que vem de fora é melhor” (enquanto aqui na França por exemplo é o contrário). Quanto ao comentário da Sam sobre se sentir autóctone, ele me surpreende um pouco, sempre considerei os brasileiros de origem japonesa tão “autóctones” quanto os outros. E é um sentimento diferente do que acontece aqui na Europa, o descendente de um imigrante não europeu dificilmente sera considerado “autóctone”, não importa quantas gerações passem.
    Um grande beijo.

  5. eu queria saber como foi a evoluçao da musica no japão

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