Paisagem inebriada…

“Estou naquela idade inquieta e duvidosa
que é um fim de tarde e começa a anoitecer!”
Machado de Assis

Tão logo cheguei em casa hoje, sentei-me aqui e tentei por um pouco de ordem na bagunça que simplesmente se estabeleceu em minha mesa nos últimos dias. Definitivamente não sei viver no caos (rs).

A Sam me disse ontem pelo que é impossível criar sem o caos. Definitivamente isso não funciona pra mim. Aliás, enquanto percorria os trilhos na volta para casa (excelente passeio no fim da tarde – o pôr do sol estava encantador) lia no blog dela (A Vida como a Vida quer) sobre os detalhes da celulite. É claro que eu tive que rir, afinal, em pleno século XXI as pessoas ainda se dão ao trabalho de se preocupar com coisas pequenas e supérfluas. Isso porque o “mio amore” estava irritado com o resultado das pesquisas que colocavam a Sra. Marta Suplicy como líder nas pesquisas para a prefeitura de São Paulo. Acho que o povo gosta de pagar taxa e ver a cidade cheia de out doors e bingos espalhados por todos os cantos. Porque uma coisa é fato, com o PT na administração é bem mais fácil, qualquer mala preta resolve (credo se eu morder a língua morro).

Vida longa as conversas on  line.
Ontem, depois de dias longe do msn e gtalk voltei ao diálogo com os “amigos virtuais” (caríssimos, é pura falta de tempo mesmo). Falei com a Ana que postou um poema que foi inspirado noFoco Femina – fiquei com sorrisos de orelha…

Convite.
Ah! E a queridíssima Maria Augusta (Le Jardin Éphémère) está nos proporcionando uma viagem maravilhosa pela “Rota da seda“. Até agora, a viagem está excelente e hoje tem mais um capítulo dessa bela viagem, vale a pena. Então, tome lugar no seu acento que o caminho agora é a favor do vento…

Leituras Noturnas.
Estou lendo “Mar Absoluto/Retrato Natural” de Cecília Meireles, esse veio comigo na mochila e agora divido com vocês um pedaçinho da minha leitura:

Serenata
Dize-me tu, montanha dura,
onde nenhum rebanho pasce,
de que lado na terra escura
brilha o nácar de sua face.

Dize-me tu, palmeira fina,
onde nenhum pássaro canta,
em que caverna submarina
seu silêncio em corais descansa.

Dize-me tu, ó céu deserto,
dize-me tu se é muito tarde,
se a vida é longe e a dor é perto
e tudo é feito de acabar-se!
pág. 216

13 Respostas

  1. pois é, o caos…nele, me oriento, me protejo, sigo em frente. ao mesmo tempo, olho para ao lado, e nada de caos, apenas uma agenda, repleta de nomes, números, endereços, horários e nenhum sinal de vida fora daquelas páginas, mas dentro de mim, ele se manifesta com intensidade e me chama, ele, o caos. e descubro, aqui, vida e escrita, pensamentos e escrita, e Cecília iluminando as horas. abraços, gostei muito daqui.

  2. Essa coisa do caos é meio mágica para mim, mas também só consigo criar na calma. O caos tem que vir antes, tenho que ver coisas, sentir cheiros, procurar inspirações. Depois sento e me concentro, começo a pinçar o que realmente permanece em mim.

  3. Lunna, eu não gosto de muita ordem não, acho que bagunça combina com vida e movimento, as coisas arrumadinhas parecem que já estão concluídas.
    Muito lindo este poema da Cecília Meireles, você teve muito bom gosto para escolher os livros que te acompanharam na viagem.
    E muito obrigada pelo link para a “Rota da Seda”, a próxima postagem já via entrar na Ásia e seu exotismo.
    Grande beijo e um lindo dia para você.

  4. muito bom voltar sempre ao seu blog, gosto daqui.

  5. pois é o caos é inspirador… dá uma força de tudo em simultâneo… inquieta e empurra…
    Eu quero ser caotica mas ter a casa arrumada… caótica discreta…lol…
    Quando o fim da tarde começa a anoitecer é como aurora… o dia cresce…
    beijinhos das nuvens

  6. um post tão rico e diversificado que merece uma segunda leitura
    beijos

  7. ei lunna,
    foi também com um gostoso sorriso
    que li nesta tua postagem
    elementos tão meus…
    como a hojerizan pela desordem,
    e sobre o mal estar que me dá
    com as pessoas se preocupado com
    coisas tão vãs. rs
    Há momentos em que preciso do caos
    e tomo-o emprestado em minhas mãos
    e como um ferreiro
    crio com fogo meus poemas…
    mas dentro de mim,
    porém
    necessito da ordem e paz,
    sorrisos e dias ensolarados… desejo isso pra ti…
    obrigado pelo convite do blog
    vou aceitar sim, fiquei lisonjeada…. rs
    Estou saindo em viagem
    e quando retornar
    conversamos melhor, ok
    Um grande abraço

  8. Oi Lunna!

    Eu também não funciona em meio à bagunça, nem por decreto! (rs) Lindos versos.

    beijos querida,

  9. Do caos (parafraseando Nietzsche) haverá de surgir uma estrela!!! bjos

  10. Eu tb detesto bagunça, mas…
    as vezes tem que passar por ela pra arrumar tudo.
    hehe
    Beijos.

  11. Vc me fez pensar na bagunça que anda a minha vida…
    Bjo

  12. Ai, Cecilia Meireles é excepcional! Tenho as obras completas dela e não me canso de ler e reler…
    Bjos…

  13. Olá Lunna, estive numa livraria outro dia e ouvi um senhor falando sobre o caos. Nem pensei nisto mais e heis que chego aqui no seu blog e olha o assunto. Interesssante, isto porque me obrigou a pensar sobre o assunto novamente. Na verdade, convivemos com esta situação e não percebemos. Por exemplo, qundo acordamos de manhã, como está a nossa cama? Um caos, não é mesmo? O que fazemos? Arrumamos o caos. Então é isto. Sempre partimos do caos pra criar, começar o dia…

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