* Fotografia tirada durante uma caminhada
nos arredores de Gênova.
Ando dispersa – distante, ando brincando em outros mares e a leitura matinal me deixou com gosto de sol caramelado na pele. Nem me falem em sensações…
A pesquisa segue pela paisagem. A personagem já se mostra em cores vibrantes. Sua intensidade causou a dispersão, hoje sou muito mais ela que eu, propriamente dito. Ela se confecciona através da minha pele e me deixa assim, refém de seus gestos e movimentos…
Mas eu gosto disso. Faz lembrar Fernando Pessoa que tinha urgência em ser outro e ainda assim, era ele mesmo. Gosto dessa “insanidade” saudável.
Tão sutilmente em tantos breves anos
Tão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.
Lya Luft nasceu no dia 15 de setembro de 1938, em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. Iniciou sua vida literária nos anos 60, como tradutora de literaturas em alemão e inglês. Lya Luft já traduziu para o português mais de cem livros. Entre outros, destacam-se traduções de Virginia Wolf, Reiner Maria Rilke, Hermann Hesse, Doris Lessing, Günter Grass, Botho Strauss e Thomas Mann. Ela diz que traduzir é sua verdadeira profissão.
Em entrevista a Paulo Eduardo de Vasconcellos, na revista “Veredas”, ao ser perguntada sobre o que é seu novo livro, respondeu: “Não sei. Começo exatamente perguntando que livro é este. Não é um ensaio porque não sou acadêmica. Não é ficção porque não é inventado. É o resultado de idéias que vão surgindo, de novas linguagens, novas coisas a serem ditas, mas ainda sem nome. Não sei o que é. É pensamento talvez, não sei explicar.
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post muito denso, andanças, criação, imaginário, foto(tenho uma de Colonia de Sacramento-Uruguai muito parecida), caminhos, pele, personagem, Pessoa. E Lya Luft. (quanto ao meu pequeno escrito, esteja à vontade. sinto-me honrado.) meu abraço.
Esses fiapos prometem uma grande obra! Esta personagem se apossando do autor me deixou com vontade de ler mais e mais!
Maravilhosa Lya Luft!Adoro!
Abraços
Dri
Doce amiga,
Obrigada por suas visitinha.Fico muito feliz.Vou linkar seu lindo Blog, já te coloquei como favoritos e como fã no Blogblogs.Beijinhos
Lunna, sempre ouvi falar nos personagens que se apossam dos atores, mas dos autores não sabia que isto acontecia também. Deve ser uma sensação estranha, não dá medo de se tornar uma outra pessoa? Até que ponto você tem o controle?
A foto esta lindíssima, deve ser um lugar muito inspirador.
Um grande beijo.
está aí uma escritora que ainda não encontrei: Lya… Até!
As sensações da dispersão ficam por conta da minha imaginação. E, nas sensações, fico imaginando o quanto é incrível deixar que os personagens falem através da sua escrita. Nas dispersão eles vão entrando. bom bom bom bom
Beijos
que lindo!
beijos
Gostei muito do trecho, causa uma identificação impactante.
Lindos dias de verão aí, mas nosso inverno não fica atrás, viu?
Lunna, percei que a caminhada por si só já é poesia. Que coisa linda! Vc é uma felizarda, abençoada!
bjs
Tb. gosto de vir até o Acqua.
Sempre faz bem para os olhos e o coração
beijo pra você
“não é preciso consenso
nem arte
nem beleza ou idade
a vida é sempre dentro
e agora
a vida é minha
para ser ousada
a vida pode florescer
numa existência inteira
mas tem que ser buscada, tem de ser conquistada”
Lya Luft
Bjos e bom final de semana!!!
Grande Lia Luft, Grande Fernando Pessoa.
Grande Lunna e seus fiapos…
Bj.
Caminhada enriquecedora assim com tudo de bonito…
tb ando distante mas apressada para me aproximar…
beijinhos das nuvens